O Brasil alcançou pela primeira vez na história a faixa de desenvolvimento humano considerada "muito alta", com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) atingindo 0,805, conforme relatório divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
O marco supera o patamar de 0,800, limiar que classifica o indicador na categoria mais elevada da escala utilizada pela ONU. Em 2012, o IDHM brasileiro era de 0,744, o que representa um crescimento expressivo ao longo de 12 anos.
Educação como motor do avanço
De acordo com os dados do Pnud, o principal fator responsável pela elevação do índice foi a expansão do acesso à educação no país, impulsionada em grande medida pelas condicionalidades do programa Bolsa Família. O programa federal exige a frequência escolar de crianças e adolescentes das famílias beneficiárias como requisito para a manutenção do benefício, o que contribuiu para o aumento das matrículas e a redução da evasão escolar.
Segundo a Carta Capital, a vinculação entre transferência de renda e permanência na escola tem sido apontada por especialistas como um dos mecanismos mais eficazes para a melhoria dos indicadores educacionais entre a população de baixa renda.
O que mede o IDHM
O relatório Radar IDHM, elaborado pelo Pnud, avalia o desenvolvimento humano no Brasil a partir de três dimensões: saúde, educação e renda. Diferentemente do IDH global, o IDHM utiliza dados municipais e incorpora recortes por sexo e raça, permitindo uma análise mais detalhada das desigualdades internas do país.
A metodologia possibilita identificar disparidades regionais e demográficas que o indicador nacional, por si só, não seria capaz de captar. Essa abordagem desagregada tem sido utilizada como ferramenta para orientar políticas públicas voltadas à redução de desigualdades estruturais.
Contexto e perspectivas
O resultado coloca o Brasil em um novo patamar na classificação internacional de desenvolvimento humano, embora desafios persistam. Desigualdades regionais, de gênero e de raça continuam a marcar o cenário social brasileiro, conforme apontam os próprios dados do Pnud.
A sustentação do avanço dependerá, segundo análises de organismos internacionais, da continuidade de políticas de inclusão social e educacional, bem como de investimentos em saúde e geração de renda. O próximo ciclo de avaliação do IDHM deverá indicar se a trajetória de crescimento se mantém ou se novos obstáculos — econômicos ou fiscais — impactarão a evolução do indicador.