Um levantamento feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelou que no primeiro trimestre de 2026, entre os 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, a maioria (13,9 milhões) estava ocupada e outros 6,2 milhões estavam fora da escola e do trabalho, pertencendo ao grupo chamado de "nem-nem". Os dados são do Diagnóstico da Juventude Brasileira, realizado pelo MTE, com o cruzamento de dados das bases do IBGE/PNAD Contínua, MTE/RAIS e eSocial. Os números mostram que, apesar de existirem 13,9 milhões de jovens ocupados, mais da metade (52%) dos adolescentes que trabalham permanece menos de um ano no mesmo emprego.
Aqueles que só estudam totalizam 12,8 milhões, os que só trabalham são 9,6 milhões e 4,3 milhões estudam e trabalham. "A conclusão é a de que temos muita gente na escola, menos gente fora do mundo do trabalho ou da escola.
Nosso primeiro esforço é trazer essas pessoas de volta para a escola.
Eventualmente trabalhando, se precisar, para poder remunerar", disse a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MT, Paula Montagner.
Segundo a pesquisa, o jovem está mais escolarizado do que nunca e usa o diploma como porta de entrada. O desafio é transformar a credencial de escolaridade aliada à experiência em trabalho decente, qualificado e bem remunerado.
Pelo menos 73% têm ao menos o ensino médio, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e 944 mil já concluíram essa etapa do ensino. "Nós temos um desafio grande porque a credencial mínima para o mercado de trabalho é o ensino médio.
Cada vez mais isso é visível em todos os lugares do Brasil.
Não só nas atividades urbanas, mas também nas rurais", avalia a subsecretária. O desemprego entre os jovens caiu, mas há indicativos de que essa população ainda precisa de mais oportunidades.
Segundo os dados, 25,1% dos adolescentes de 14 a 17 anos estavam desempregados no primeiro trimestre, enquanto entre os jovens de 18 a 24, a taxa era de 13,8% sem emprego, percentual maior do que o dobro da média nacional, que é de 5,8%. "A taxa de desemprego jovem caiu pela metade desde o pico de 2021. Os números absolutos estão entre os menores da série: 2,7 milhões de jovens (18-24) e 586 mil adolescentes desempregados.
Entrar no mercado segue mais difícil para quem começa, mas temos elementos importantes: muita gente ficando na escola ou trabalhando e estudando", disse Paula. A pesquisa mostra que a formalização dos empregos entre os jovens foi de 57,8%, com 8 milhões de vínculos formais entre jovens de 14 a 24 anos (RAIS 2025), dentro de quase 60 milhões de empregos formais no país.
Mais da metade já tem carteira de trabalho: 57,8% dos jovens ocupados têm vínculo formal. "Existe um mito sendo formado de que jovem não quer ser celetista.
Jovem não quer chefe resmungão, quer ter possibilidade de diálogo e alguma flexibilidade, principalmente quando ele tem prova, precisa resolver algum problema", analisou. As ocupações que mais empregam jovens de 14 a 24 anos são: Balconistas e vendedores (1,24 milhões); Escriturários gerais (1,07 milhões); Auxiliar de construção de edifícios (394 mil); Recepcionistas (391 mil); Caixas e bilhetes (367 mil).
Segundo os dados, 59% dos jovens estão nas 20 maiores ocupações. Um em cada cinco atua em escrituração ou vendas em lojas. "O emprego jovem se concentra em poucas funções de comércio e serviços, de baixa especialização e salário próximo ao mínimo. É a raiz da baixa permanência e da dificuldade de ascensão". Um dos alertas é que o jovem tem acesso ao emprego, mas não permanece na ocupação.
Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, 52% ficam menos de um ano.
Segundo Paula, isso ocorre porque eles estão experimentando, não entendem as ordens e, dependendo do lugar, ninguém explica o que ele quer saber, mas cobra como se ele soubesse.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, 38,2% permanecem menos de um ano no emprego. "Quando eu trago um jovem adolescente, eu deveria trabalhar com ele para sua formação.
Precisa gastar tempo para explicar, supervisionar e ajudá-lo a compreender porque tem que ser feito de tal maneira", avalia Paula.