A projeção do mercado financeiro para a inflação oficial de 2026 subiu pela 12ª semana consecutiva e passou a superar o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Os dados constam do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (1º).
Segundo a Agência Brasil, a estimativa do IPCA para o fim de 2026 avançou de 5,04% para 5,09%, ultrapassando o limite superior da meta de inflação, fixada em 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual — o que estabelece o teto em 4,5%. A sequência ininterrupta de revisões para cima reforça a percepção de deterioração nas expectativas inflacionárias entre economistas e analistas consultados semanalmente pelo BC.
De acordo com o InfoMoney, a expectativa para a taxa Selic ao final de 2026 foi mantida em 13,25% ao ano, sinalizando que o mercado não antecipa cortes adicionais de juros no curto prazo diante do cenário de pressão sobre os preços. A projeção para o dólar no encerramento do ano também permaneceu estável, em R$ 5,16.
Conforme análise publicada pela XP Investimentos, as revisões altistas não se limitam a 2026. As projeções de inflação para 2027 e 2028 também foram elevadas na mesma edição do boletim, indicando que a desancoragem das expectativas se estende para o médio prazo. A persistência dessas revisões representa um desafio adicional para a condução da política monetária, uma vez que o Banco Central utiliza as expectativas do Focus como um dos parâmetros para suas decisões sobre juros.
O Boletim Focus é elaborado a partir de consultas semanais a mais de 100 instituições financeiras, consultorias e gestoras de recursos, sendo considerado um termômetro relevante das projeções do mercado para os principais indicadores econômicos do país. A permanência da inflação esperada acima do teto da meta por período prolongado tende a pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter uma postura mais restritiva nas próximas reuniões.
Com a Selic estacionada em patamar elevado e sem perspectiva imediata de alívio, o cenário descrito pelo Focus aponta para um ambiente de juros altos ao longo de todo o ano, com impacto direto sobre o custo do crédito, o consumo das famílias e o ritmo de atividade econômica.