O mercado financeiro elevou pela nona semana consecutiva a projeção para a inflação oficial de 2026, de 4,89% para 4,91%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. Os dados constam do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, conforme informações da Agência Brasil e do Poder360.

A meta central de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, o limite superior é de 4,5%. Com a nova projeção, o mercado sinaliza que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano acima desse teto, o que configuraria o estouro formal da meta.

Pressão dos combustíveis e conflito no Oriente Médio

De acordo com analistas consultados pelos veículos que acompanham o Boletim Focus, a escalada do conflito no Oriente Médio é apontada como um dos principais fatores de pressão sobre as expectativas inflacionárias. A instabilidade geopolítica na região tem impacto direto sobre os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, sobre os combustíveis no mercado doméstico brasileiro.

Os preços de combustíveis exercem efeito cascata sobre diversos setores da economia, encarecendo o transporte de mercadorias e pressionando custos de produção de alimentos e bens industriais. Essa dinâmica contribui para a deterioração contínua das projeções de inflação observada nas últimas nove semanas.

Selic elevada no horizonte

Segundo os dados compilados pelo Focus, o mercado projeta que a taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar 2026 em 13% ao ano, patamar considerado restritivo. Para 2027, a expectativa é de recuo para 11,25%, conforme reportado pelo portal Suno Notícias.

A manutenção da Selic em níveis elevados reflete a avaliação de que o Banco Central precisará manter uma política monetária apertada para tentar conter as pressões inflacionárias. A taxa de juros alta encarece o crédito e tende a desacelerar a atividade econômica, funcionando como instrumento de controle de preços.

Perspectivas

A persistência na elevação das expectativas inflacionárias representa um desafio para a condução da política monetária. Caso o IPCA de fato encerre 2026 acima do teto da meta, o presidente do Banco Central será obrigado a enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões do descumprimento e as providências adotadas para o retorno da inflação ao intervalo estabelecido.

O Boletim Focus é publicado semanalmente pelo Banco Central e reúne as medianas das projeções de cerca de cem instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. A próxima edição do relatório poderá indicar se a tendência de alta nas expectativas de inflação se mantém ou se estabiliza diante do cenário internacional.