O mercado financeiro elevou pela décima semana consecutiva a projeção para a inflação oficial de 2026, que agora alcança 4,92%, conforme o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central. O índice ultrapassa o teto da meta de inflação, fixado em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Inflação acima do teto da meta
De acordo com os dados compilados pelo Banco Central a partir de consultas a mais de cem instituições financeiras, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,91% na semana anterior para 4,92%. A meta central de inflação definida pelo CMN é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo — o que estabelece o teto em 4,5%.
O estouro da meta projetada pelo mercado reforça o cenário de pressão inflacionária persistente, segundo análises publicadas pela Agência Brasil e pelo Diário Carioca. Entre os fatores apontados por economistas consultados por essas publicações está o agravamento do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços internacionais dos combustíveis e alimentado a inflação em escala global.
Selic e crescimento econômico
O Boletim Focus também trouxe a projeção da taxa básica de juros, a Selic, em 13% ao final de 2026. O patamar elevado reflete a expectativa do mercado de que o Banco Central precisará manter uma política monetária restritiva para tentar conter a escalada dos preços. Atualmente, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem adotado um ciclo de aperto monetário diante das pressões inflacionárias.
Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa do mercado ficou em 1,85% de crescimento em 2026, conforme os dados reunidos pelo boletim. O número indica uma expectativa de desaceleração da atividade econômica, em linha com os efeitos contracionistas dos juros elevados sobre o consumo e o investimento.
Pressões externas e cenário de incerteza
A escalada do conflito no Oriente Médio permanece como um dos principais vetores de risco para a inflação brasileira, segundo as fontes consultadas pelos veículos que cobriram a divulgação do boletim. A alta nos preços do petróleo no mercado internacional tende a se refletir nos custos de combustíveis e transportes no Brasil, com efeitos em cadeia sobre diversos setores da economia.
O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e compila as expectativas de analistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país. A sequência de dez semanas consecutivas de revisão para cima na projeção de inflação sinaliza uma deterioração progressiva das expectativas, fator que o próprio Banco Central costuma monitorar de perto em suas decisões de política monetária. A próxima reunião do Copom será acompanhada com atenção pelo mercado para avaliar se o cenário exigirá novas elevações na taxa de juros.