O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade, em reunião encerrada nesta terça-feira (17), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão marca o terceiro corte consecutivo na Selic desde março de 2026.

Sequência de cortes

Conforme informações divulgadas pelo Banco Central, a redução acumulada desde o início do ciclo de afrouxamento monetário, em março, totaliza 0,75 ponto percentual. A taxa havia atingido o patamar de 15% ao ano antes do início dos cortes, nível que não era registrado desde 2006.

A unanimidade entre os membros do Copom sinaliza alinhamento interno quanto à avaliação do cenário econômico e das condições para a continuidade do ciclo de redução dos juros, segundo análises publicadas pelo InfoMoney e pelo portal SouBrasília.

Inflação acima do teto preocupa

Apesar da trajetória de queda na Selic, o cenário inflacionário segue como ponto de atenção. De acordo com o boletim Focus, compilado pelo Banco Central a partir de projeções de instituições financeiras, a expectativa para o IPCA em 2026 foi elevada para 5,09%, patamar que ultrapassa o teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.

A divergência entre a política de corte de juros e as expectativas inflacionárias acima da meta representa um dos principais desafios para a condução da política monetária nos próximos meses. O Copom tem reiterado, em comunicados anteriores, que acompanha a evolução dos indicadores para calibrar o ritmo dos ajustes.

Expectativas do mercado

O mercado financeiro projeta que a Selic encerre 2026 em 13,25% ao ano, conforme levantamento do boletim Focus reportado pelo Midiamax. Se confirmada, a previsão implicaria cortes adicionais de um ponto percentual ao longo do segundo semestre.

A próxima reunião do Copom está prevista para agosto, quando o comitê deverá avaliar novos dados de atividade econômica, emprego e inflação para decidir sobre a manutenção do ritmo de cortes ou eventual ajuste na magnitude das reduções.

A decisão desta semana reforça a tendência de afrouxamento monetário iniciada em março, embora o cenário de inflação persistente acima da meta imponha cautela sobre a velocidade e a extensão do ciclo de queda dos juros básicos da economia brasileira.