O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade reduzir a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25% ao ano, em reunião realizada nos dias 16 e 17 de junho. O corte de 0,25 ponto percentual marca a terceira redução consecutiva da Selic.
Segundo a Agência Brasil, o comunicado divulgado pelo Banco Central após a decisão manteve tom cauteloso, citando a persistência da inflação acima da meta e as incertezas no cenário internacional como fatores que exigem prudência na condução da política monetária. Entre os riscos externos mencionados pelo comitê estão os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre os preços de energia e commodities.
A unanimidade na votação sinaliza alinhamento entre os membros do colegiado quanto à estratégia gradual de flexibilização monetária. O ciclo de cortes teve início após um período prolongado de juros elevados, adotado pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias que se acumularam nos últimos trimestres.
Conforme análise publicada pelo Banco Safra, a expectativa é de que a Selic encerre o ano de 2026 em 13,50%, o que indicaria a continuidade de reduções moderadas nas próximas reuniões do Copom. A projeção sugere que o ritmo de cortes deve seguir comedido, condicionado à evolução dos indicadores de inflação e à dinâmica fiscal do país.
Mesmo com a sequência de reduções, a taxa de juros brasileira permanece entre as mais altas do mundo em termos reais. O patamar ainda restritivo reflete a avaliação do Banco Central de que o processo de convergência da inflação para o centro da meta requer cautela, especialmente diante de um ambiente global marcado por volatilidade e incertezas geopolíticas.
A próxima reunião do Copom está prevista para agosto, quando o comitê deverá reavaliar o cenário econômico doméstico e internacional para definir os próximos passos da política de juros.