Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 82,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Conforme reportado pela Agência Brasil e pela CNN Brasil, a estatal acumula agora 14 trimestres consecutivos com resultado negativo.

Receita em queda e colapso no segmento internacional

A receita bruta da empresa recuou 2,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, totalizando R$ 4,04 bilhões. O desempenho foi puxado para baixo sobretudo pelo segmento de correio internacional, que registrou queda de 60,3% — uma retração expressiva que reflete a perda de competitividade da estatal frente a operadores logísticos privados que dominam o comércio eletrônico transfronteiriço.

Provisões trabalhistas bilionárias

Segundo as informações divulgadas, um dos principais fatores por trás da ampliação do prejuízo foi o registro de uma provisão de R$ 1,06 bilhão destinada a cobrir ações trabalhistas. O montante, equivalente a cerca de um terço do resultado negativo do trimestre, evidencia o peso do passivo judicial sobre as contas da companhia.

Crise estrutural prolongada

A sequência de 14 trimestres consecutivos no vermelho — mais de três anos ininterruptos de prejuízo — configura um quadro de deterioração financeira estrutural na maior estatal de logística do país. A combinação de receitas em declínio, perda de mercado no segmento internacional e passivos judiciais crescentes impõe desafios significativos à gestão da empresa.

De acordo com a CNN Brasil, o resultado reacende o debate sobre a sustentabilidade do modelo de negócios dos Correios, que enfrentam concorrência cada vez mais acirrada de empresas privadas no setor de encomendas — segmento que, nos últimos anos, havia se tornado a principal aposta da estatal para compensar a queda estrutural nos volumes de correspondência tradicional.

Os números do primeiro trimestre de 2026 representam o pior resultado trimestral da história recente da empresa e colocam pressão adicional sobre o governo federal, acionista único dos Correios, em relação aos rumos da companhia.