Os Estados Unidos confirmaram a imposição de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor a partir de 22 de julho de 2026. O anúncio foi feito pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), e o governo do presidente Lula reagiu classificando a medida como um "marco lastimável" nas relações bilaterais.
Abrangência e exceções
Conforme divulgado pelo USTR e reportado pelo Jornal do Brasil, a tarifa incidirá sobre uma ampla gama de produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. No entanto, a lista prevê exceções para itens considerados estratégicos para o mercado americano, incluindo carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e celulose — segmentos nos quais o Brasil ocupa posição relevante no abastecimento dos EUA.
A justificativa americana para a medida está ancorada no déficit comercial bilateral. Segundo dados do próprio governo dos Estados Unidos, reportados pelo Poder360, o Brasil acumula um superávit de US$ 424,5 bilhões com os EUA nos últimos 15 anos — cifra que Washington aponta como evidência de desequilíbrio nas relações comerciais entre os dois países.
Reação do governo brasileiro
O governo Lula respondeu ao anúncio com tom firme, conforme reportado pelo NDMais. Além de classificar a decisão americana como um "marco lastimável", o Planalto indicou que pretende acionar dois instrumentos de resposta: a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso brasileiro, e o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A Lei de Reciprocidade permite ao governo brasileiro adotar contramedidas tarifárias e não tarifárias proporcionais contra países que imponham barreiras consideradas injustas ao comércio com o Brasil. Já o recurso à OMC representa a via multilateral de contestação, processo que costuma ser mais longo, mas que confere legitimidade jurídica internacional à posição brasileira.
Contexto
A decisão americana se insere em uma política comercial mais ampla dos Estados Unidos, que tem ampliado a imposição de tarifas sobre parceiros comerciais com os quais mantém déficits significativos. O Brasil, como uma das maiores economias do hemisfério e parceiro histórico de Washington, passa agora a integrar o grupo de países diretamente atingidos por essa estratégia.
A exclusão de produtos como carne bovina, café e petróleo da lista tarifária sugere que os EUA buscaram preservar cadeias de fornecimento nas quais a substituição de produtos brasileiros seria mais custosa para o consumidor e para a indústria americanos. Ainda assim, o impacto sobre os demais setores exportadores brasileiros pode ser significativo, a depender do escopo final da lista de produtos afetados.
O desdobramento das negociações e a eventual aplicação de medidas retaliatórias pelo Brasil devem marcar as relações comerciais entre os dois países nas próximas semanas.