O governo dos Estados Unidos anunciou na noite de 1º de junho de 2026 a proposta de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo a Agência Brasil e a revista Exame, a medida decorre de uma investigação que classificou práticas comerciais do Brasil como desleais em diversas áreas.

O que diz a investigação

A apuração conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) avaliou cinco áreas consideradas problemáticas: comércio digital, o sistema de pagamentos instantâneos Pix, propriedade intelectual, políticas para o etanol e questões relacionadas ao desmatamento. Conforme a Exame, o relatório final concluiu que o Brasil age de forma desleal em práticas comerciais que afetam empresas e interesses norte-americanos.

A proposta prevê uma audiência pública marcada para 6 de julho, na qual partes interessadas poderão apresentar argumentos antes da decisão final. O prazo legal para a adoção definitiva da tarifa é 15 de julho de 2026.

Isenções para commodities críticas

Apesar da abrangência da tarifa proposta, commodities consideradas estratégicas pelos Estados Unidos ficam isentas da sobretaxa. Segundo as fontes consultadas, produtos como carne, café e metais de terras raras não serão atingidos pela alíquota de 25%. A exclusão reflete a dependência norte-americana de determinadas importações brasileiras que não possuem substitutos imediatos no mercado internacional.

Contexto e possíveis impactos

A Seção 301 é o mesmo instrumento legal utilizado pelo governo dos Estados Unidos em disputas comerciais anteriores com outros parceiros, incluindo a China. A ferramenta permite que Washington imponha tarifas unilateralmente quando identifica práticas que considere injustas ou discriminatórias contra interesses comerciais americanos.

O Brasil é um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos na América Latina. Uma tarifa adicional de 25% pode afetar setores industriais e agrícolas brasileiros que dependem do mercado norte-americano, embora o alcance exato da medida dependa da lista final de produtos abrangidos, ainda sujeita ao processo de consulta pública.

O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a proposta, conforme as informações disponíveis até o momento da publicação.