O Ibovespa encerrou maio de 2026 com queda acumulada de 7,22%, o pior desempenho mensal da bolsa brasileira desde fevereiro de 2023. O principal índice da B3 fechou o mês aos 173.787 pontos, após recuar de cerca de 187 mil pontos registrados no início de maio, completando sete semanas consecutivas de perdas.
Segundo a Agência Brasil, a sequência negativa representa uma reversão abrupta em relação ao cenário de abril, quando o Ibovespa havia renovado recordes históricos. A deterioração do humor dos investidores ao longo de maio levou o índice a devolver parte significativa dos ganhos acumulados no primeiro quadrimestre do ano.
Saída de capital estrangeiro pressiona mercado
Conforme dados compilados pela B3 e reportados pela CNN Brasil, a saída líquida de capital estrangeiro alcançou R$ 14,1 bilhões até o dia 27 de maio, configurando um dos maiores volumes de retirada mensal dos últimos anos. O movimento de venda por parte de investidores internacionais foi apontado como o principal fator de pressão sobre os ativos brasileiros.
O fluxo negativo refletiu uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, a busca por ativos considerados mais seguros e o fortalecimento do dólar frente a moedas emergentes contribuíram para a realocação de portfólios. No âmbito interno, incertezas fiscais e a reavaliação das perspectivas de crescimento econômico alimentaram a cautela entre os participantes do mercado.
Dólar volta a fechar acima de R$ 5
O dólar comercial acompanhou o movimento de aversão a risco e registrou alta de 1,82% no acumulado de maio, voltando a fechar acima da marca de R$ 5,00, conforme reportado pelo portal SpaceMoney. A valorização da moeda norte-americana frente ao real acompanhou a tendência observada em outras divisas de países emergentes, mas foi amplificada pelo volume expressivo de saída de recursos estrangeiros do mercado acionário brasileiro.
Contexto e perspectivas
A queda de maio interrompe uma sequência de meses positivos que havia levado o Ibovespa a patamares recordes. De acordo com a Agência Brasil, o recuo de 7,22% representa a maior perda percentual mensal em mais de três anos, evidenciando a velocidade com que o sentimento do mercado se deteriorou após o otimismo registrado no período anterior.
Analistas ouvidos pelos veículos que cobriram o fechamento do mês destacaram que a intensidade da correção reflete, em parte, o grau elevado de valorização prévia dos ativos brasileiros, que tornava o mercado mais vulnerável a ajustes diante de sinais negativos. A continuidade ou reversão da tendência nos próximos meses dependerá da evolução do cenário fiscal doméstico e das condições de liquidez global.