O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% em maio de 2026, desacelerando em relação aos 0,67% de abril, mas levando a inflação acumulada em 12 meses a 4,72% — acima do teto de 4,5% da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional. É a primeira vez no ano que o indicador ultrapassa esse limite.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e repercutiram em veículos como a Agência Brasil, CNN Brasil e Correio Braziliense.
Alimentos puxam o índice
O grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pela pressão inflacionária em maio, com alta de 1,33%, conforme o IBGE. Segundo a Agência Brasil, o segmento respondeu por cerca de metade de toda a inflação registrada no mês. Itens básicos da cesta de consumo das famílias brasileiras seguem entre os maiores vilões do orçamento doméstico, em uma tendência que já vinha sendo observada nos meses anteriores.
Teto da meta rompido
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central tem centro de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece o teto em 4,5%. Com o acumulado de 4,72% em 12 meses, o IPCA ultrapassou esse limite pela primeira vez em 2026, conforme destacou o Correio Braziliense.
O rompimento do teto reacende o debate sobre a condução da política monetária e aumenta a pressão sobre o Banco Central, que tem utilizado a taxa Selic como principal instrumento para conter a alta de preços.
Expectativas do mercado
As projeções do mercado financeiro apontam para um cenário de inflação ainda mais elevada ao longo do ano. Segundo a CNN Brasil, analistas consultados pelo boletim Focus estimam que o IPCA encerre 2026 em 5,09%, consideravelmente acima do teto da meta.
Para a taxa básica de juros, a expectativa é de que a Selic termine o ano em 13,25%, sinalizando que o mercado não prevê espaço significativo para flexibilização monetária nos próximos meses. O patamar elevado dos juros reflete a avaliação de que a desinflação segue como desafio persistente para a economia brasileira.
Contexto
Embora o resultado mensal de maio tenha mostrado desaceleração frente a abril, o acumulado em 12 meses segue em trajetória de alta, pressionado sobretudo pelo encarecimento dos alimentos. O cenário coloca o Banco Central em posição delicada, entre a necessidade de controlar a inflação e os efeitos restritivos dos juros elevados sobre a atividade econômica e o crédito.
O Atlas acompanha os desdobramentos da política monetária e dos indicadores de inflação ao longo de 2026.