O mercado financeiro elevou pela nona semana consecutiva a projeção para a inflação oficial de 2026, que passou de 4,89% para 4,91%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. O índice supera o teto da meta de inflação, fixado em 4,5% ao ano.
De acordo com a Agência Brasil, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se distancia cada vez mais do centro da meta, estabelecido em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A sequência ininterrupta de revisões para cima reforça a percepção de deterioração no cenário inflacionário entre os agentes do mercado.
Pressão dos combustíveis e cenário externo
Conforme análises publicadas pela CNN Brasil e pelo Poder360, a escalada nos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito armado envolvendo o Irã, figura entre os principais fatores de pressão sobre as projeções de inflação. A alta da commodity encarece combustíveis e gera efeitos em cadeia sobre custos de transporte e produção de alimentos, alimentando a inflação tanto no Brasil quanto no cenário global.
A instabilidade geopolítica adiciona um componente de incerteza que dificulta a ancoragem das expectativas inflacionárias, segundo economistas consultados pelos veículos que acompanham o Boletim Focus.
Taxa de juros e crescimento econômico
O levantamento semanal do Banco Central também indicou que a projeção para a taxa básica de juros, a Selic, permanece em 13% ao ano para o fim de 2026. O patamar elevado reflete a avaliação do mercado de que o Banco Central precisará manter uma política monetária restritiva para tentar conter a trajetória ascendente dos preços.
Já a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 1,85% para o ano, de acordo com os dados compilados pelo Focus. O número sinaliza uma expansão econômica modesta, em um ambiente no qual juros altos tendem a restringir o crédito e desacelerar o consumo e os investimentos.
Perspectiva
A persistência da inflação projetada acima do teto da meta por nove semanas seguidas coloca pressão adicional sobre o Banco Central, que terá de equilibrar o combate à alta de preços com os efeitos do aperto monetário sobre a atividade econômica. Segundo a Agência Brasil, o próximo Boletim Focus será acompanhado com atenção pelo mercado, que busca sinais sobre a trajetória dos preços de combustíveis e eventuais desdobramentos do conflito no Oriente Médio que possam afetar as cotações internacionais do petróleo.