O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,62% em maio, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (27/05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima da expectativa de 0,53% projetada por economistas consultados pela Reuters.
Desaceleração insuficiente para aliviar pressão
Apesar de representar uma desaceleração em relação ao índice de 0,89% registrado em abril, o IPCA-15 de maio veio acima do consenso de mercado, reforçando a percepção de que a trajetória inflacionária segue pressionada. Os grupos de alimentação e bebidas e habitação — este último fortemente influenciado pelos custos de energia elétrica — foram os principais responsáveis pela alta no período, segundo a CNN Brasil.
O peso dos alimentos no orçamento das famílias brasileiras continua a ser um fator determinante para a dinâmica inflacionária. Itens essenciais da cesta básica seguem com variações de preço acima da média geral, o que afeta de forma desproporcional as faixas de renda mais baixas da população.
Inflação acumulada supera teto da meta
De acordo com informações da Agência Brasil, o mercado financeiro elevou a projeção de inflação para 4,91% em 2026, patamar que ultrapassa o teto da meta perseguida pelo Banco Central. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tem centro de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo — o que estabelece o limite superior em 4,5%.
Com a inflação projetada acima desse teto, cresce a pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) para manter uma postura restritiva na condução da taxa básica de juros. Segundo a mesma publicação, o mercado projeta a Selic estável em 13%, sinalizando que os agentes econômicos não veem espaço para cortes nos juros no curto prazo.
Perspectiva para os próximos meses
O resultado do IPCA-15 de maio reforça o cenário de cautela que tem pautado as decisões do Banco Central. A combinação de pressões persistentes em alimentos e energia, aliada a expectativas de inflação desancoradas em relação à meta, tende a manter a política monetária em território contracionista nas próximas reuniões do Copom. O IBGE divulgará o IPCA cheio de maio no início de junho, dado que será acompanhado de perto pelo mercado para calibrar as apostas sobre os próximos passos da autoridade monetária.