O IBGE divulgou nesta sexta-feira (10) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, desacelerando significativamente em relação ao avanço de 0,58% apurado em maio. O resultado ficou bem abaixo da expectativa mediana do mercado, que projetava variação de 0,31% para o mês.

No acumulado de 12 meses, conforme os dados do IBGE, a inflação oficial alcançou 4,64%, permanecendo acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, fixado em 4,5%. O número reforça o cenário de pressão inflacionária persistente, ainda que a leitura mensal tenha surpreendido positivamente analistas e investidores.

O que puxou e o que segurou a inflação

Segundo o InfoMoney e a Revista Oeste, o grupo de habitação foi o principal responsável pela alta no mês, com variação de 0,63%. O avanço reflete sobretudo o comportamento de itens como energia elétrica e aluguel, que seguem pressionando os custos das famílias brasileiras.

Na direção oposta, o grupo de alimentação e bebidas registrou deflação de 0,24% em junho, contribuindo para conter o índice geral. A queda nos preços de alimentos representa um alívio pontual para os consumidores, após meses de reajustes acumulados nessa categoria ao longo do primeiro semestre.

Meta de inflação sob pressão

Apesar da desaceleração mensal, o acumulado em 12 meses acima do teto da meta mantém o Banco Central em posição de vigilância. O sistema de metas contínuo adotado pelo governo estabelece o centro da meta em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — o que define o limite superior em 4,5%.

Com o IPCA de junho acumulando 4,64% em 12 meses, o indicador segue em terreno que, conforme as regras vigentes, demanda explicações formais da autoridade monetária ao Conselho Monetário Nacional caso a inflação permaneça fora do intervalo por período prolongado.

O resultado abaixo das expectativas, porém, pode alimentar o debate sobre os próximos passos da política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acompanha de perto a trajetória dos preços para calibrar a taxa básica de juros, a Selic, que se encontra em patamar elevado.