O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (12) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% em maio, superando a expectativa do mercado, que projetava variação de 0,53%. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,72%, furando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, fixado em 4,50%.
Trata-se da maior taxa para o mês de maio em cinco anos, segundo dados compilados pelo IBGE. O resultado reforça a pressão inflacionária que vem se acumulando ao longo do primeiro semestre e coloca o Banco Central em posição de maior escrutínio sobre a condução da política monetária.
Alimentos puxam o índice
O grupo alimentos e bebidas foi o principal vilão do mês, conforme reportado pela InfoMoney e pela CNN Brasil. A categoria registrou alta de 1,33% em maio e foi responsável por cerca de metade do impacto total do IPCA no período. A persistência da pressão nos preços dos alimentos tem sido apontada por analistas como um dos fatores mais sensíveis para a percepção inflacionária da população, dado o peso elevado desses itens no orçamento das famílias de menor renda.
Meta furada
O sistema de metas de inflação adotado pelo Brasil prevê um centro de 3,0% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, o que estabelece o teto em 4,50%. Com o acumulado de 4,72% em 12 meses, o IPCA ultrapassou esse limite, cenário que, caso se mantenha por período prolongado, obriga o presidente do Banco Central a apresentar justificativas formais ao Conselho Monetário Nacional (CMN).
De acordo com a CNN Brasil, o estouro do teto adiciona pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) em suas próximas decisões sobre a taxa Selic. O mercado financeiro já vinha revisando para cima as projeções de inflação nas últimas semanas, e o dado de maio tende a reforçar a expectativa de que o ciclo de aperto monetário pode se estender ou que eventuais cortes de juros fiquem mais distantes.
Contexto
O resultado de maio se insere em um quadro de aceleração inflacionária que combina fatores domésticos — como a alta nos preços de alimentos in natura e proteínas — com incertezas no cenário externo. A divulgação do IPCA de junho, prevista para o próximo mês, será acompanhada de perto pelo mercado para avaliar se a ultrapassagem do teto da meta configura uma tendência mais persistente ou um repique pontual.