O mercado financeiro elevou pela nona semana consecutiva a projeção para a inflação oficial de 2026, levando o IPCA estimado para 4,91% ao ano, segundo dados do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira e reportado pela Agência Brasil.

O novo patamar supera o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, cujo centro é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. É a primeira vez no ciclo atual de projeções que o mercado posiciona a expectativa acima do limite superior da meta, sinalizando desconfiança crescente na convergência dos preços ao longo do ano.

Selic em patamar elevado

A taxa básica de juros, a Selic, encontra-se em 14,5% ao ano após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter promovido um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião. Apesar do início do ciclo de afrouxamento monetário, o nível segue entre os mais altos do mundo em termos reais. Analistas consultados pelo Focus projetam que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano, o que representaria uma redução acumulada de 1,5 ponto percentual ao longo dos próximos meses.

Conforme a CNN Brasil, que já havia reportado a oitava elevação consecutiva nas semanas anteriores — quando a projeção estava em 4,89% —, o movimento reflete um pessimismo persistente do mercado em relação à trajetória dos preços, mesmo diante da política monetária restritiva mantida pelo Banco Central.

Pressões externas

Entre os fatores que alimentam a revisão para cima das expectativas inflacionárias estão os conflitos no Oriente Médio, que continuam a pressionar os preços internacionais de combustíveis e alimentos. A instabilidade geopolítica na região afeta as cotações do petróleo e de commodities agrícolas, com reflexos diretos sobre os custos de produção e transporte no Brasil.

No cenário doméstico, a combinação entre política fiscal expansionista e resiliência da atividade econômica tem dificultado o trabalho do Banco Central na ancoragem das expectativas. A persistência da inflação de serviços e a desvalorização cambial acumulada nos últimos meses também figuram entre as preocupações apontadas por economistas ao longo das últimas edições do Focus.

O próximo Boletim Focus será divulgado na segunda-feira que vem, quando o mercado poderá confirmar ou interromper a sequência de nove semanas de alta nas projeções do IPCA. A reunião seguinte do Copom, que definirá o próximo passo da Selic, também será acompanhada com atenção pelos agentes financeiros.