O mercado financeiro elevou para 5,09% a previsão de inflação medida pelo IPCA para 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central. É a décima segunda semana consecutiva de alta nas projeções, que agora ultrapassam o teto da meta de inflação, fixado em 4,5% ao ano.
Inflação acima do teto
De acordo com a Agência Brasil, a estimativa subiu de 5,04% na semana anterior para os atuais 5,09%. O sistema de metas de inflação adotado pelo Banco Central estabelece um alvo central de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, o teto é de 4,5%. Com a projeção atual, o mercado sinaliza que o IPCA deve encerrar o ano quase 0,6 ponto percentual acima do limite superior permitido.
A sequência de doze semanas consecutivas de revisões para cima reforça a percepção de deterioração no cenário inflacionário. Conforme análise publicada pela XP Investimentos, a piora nas expectativas não se limita a 2026, com projeções também em alta para 2027 e 2028.
Selic elevada e perspectiva de corte gradual
A taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 14,5% ao ano — o maior patamar em anos —, mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) como instrumento de contenção da alta de preços. O Boletim Focus indica que o mercado projeta que a Selic encerre 2026 em 13,25%, o que sugere expectativa de cortes graduais ao longo do segundo semestre, condicionados ao comportamento da inflação.
O nível restritivo da política monetária busca desacelerar a demanda e conter pressões inflacionárias, mas o estouro do teto da meta pode obrigar o presidente do Banco Central a enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões do descumprimento do objetivo.
Crescimento econômico moderado
No campo da atividade econômica, as projeções apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% em 2026. Segundo a Agência Brasil, o primeiro trimestre do ano registrou expansão de 1,1%, indicando ritmo moderado de atividade.
O cenário reflete o dilema clássico enfrentado pela política econômica: juros altos ajudam a conter a inflação, mas ao mesmo tempo limitam o crescimento. Com a Selic em patamar elevado, o crédito fica mais caro para empresas e consumidores, o que tende a frear investimentos e o consumo das famílias.
O Boletim Focus é elaborado semanalmente pelo Banco Central a partir de consultas a cerca de cem instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias econômicas. O relatório é considerado um dos principais termômetros das expectativas do mercado sobre os rumos da economia brasileira.