O mercado financeiro elevou pela nona semana consecutiva sua projeção para a inflação oficial de 2026, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado agora em 5,04% para o ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. O número ultrapassa o limite superior da meta de inflação, fixado em 4,5%.
Inflação acima do teto da meta
De acordo com os dados compilados pela pesquisa semanal do Banco Central, que reúne as expectativas de mais de cem instituições financeiras, a revisão consecutiva para cima das projeções inflacionárias sinaliza uma deterioração persistente das expectativas do mercado. O estouro do teto da meta — cujo centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — obriga o presidente do Banco Central a enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando os motivos do descumprimento, caso o índice efetivo confirme a trajetória projetada.
Entre os fatores que pressionam as estimativas de preços, conforme analistas consultados pela Agência Brasil, estão a escalada das tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre as cotações internacionais do petróleo, com impacto direto nos preços dos combustíveis no mercado interno. A alta dos combustíveis possui efeito cascata sobre custos de transporte e logística, encarecendo bens e serviços em cadeia.
Selic estável em 13% ao ano
O Boletim Focus indica que a expectativa para a taxa básica de juros permanece em 13% ao ano até o fim de 2026, segundo as projeções medianas do mercado. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 16 e 17 de junho, quando os diretores do Banco Central avaliarão o cenário macroeconômico e decidirão sobre eventuais ajustes na Selic.
O patamar elevado da taxa básica reflete a estratégia do Banco Central de conter a pressão inflacionária por meio do encarecimento do crédito, o que tende a desacelerar o consumo e o investimento produtivo. A manutenção prolongada dos juros em dois dígitos tem sido apontada por economistas ouvidos pela Agência Brasil como um entrave ao crescimento econômico mais robusto.
Crescimento econômico moderado
A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 ficou em 1,85%, conforme o mesmo levantamento do Banco Central. O número indica uma expectativa de crescimento moderado para a economia brasileira, em um ambiente marcado por juros elevados e incertezas no cenário externo.
Segundo dados anteriores divulgados pelo próprio Banco Central, a autoridade monetária havia estimado, no início do ano, um crescimento de 1,6% para o PIB em 2026. A revisão para cima nas projeções do mercado sugere uma leitura ligeiramente mais otimista sobre a atividade econômica, embora o ritmo permaneça aquém do registrado em anos anteriores.
Próximos passos
O cenário para os próximos meses será condicionado pela decisão do Copom em junho e pela evolução dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que seguem como fator de risco para os preços de energia e commodities. A divulgação dos próximos indicadores de atividade e inflação ao longo de junho deve calibrar as expectativas do mercado e influenciar as decisões de política monetária do Banco Central.