O mercado financeiro elevou pela oitava semana consecutiva a projeção para a inflação oficial de 2026, que agora está estimada em 4,91%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. O índice supera o teto de 4,5% da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, sinalizando um cenário de pressão persistente sobre os preços.
Inflação acima do teto
De acordo com os dados compilados pela pesquisa semanal do Banco Central, que reúne projeções de mais de cem instituições financeiras, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vem subindo de forma ininterrupta nas últimas oito edições do boletim. A meta central de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo — o que estabelece o teto em 4,5%. Com a projeção em 4,91%, o mercado passou a trabalhar com um cenário em que o Banco Central não conseguiria cumprir formalmente a meta ao fim do ano.
Conforme a Agência Brasil, o estouro do teto obriga o presidente do Banco Central a enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões do descumprimento e as medidas previstas para reconduzir a inflação ao intervalo da meta.
Selic, PIB e câmbio
A taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar 2026 em 13% ao ano, segundo as projeções reunidas pelo Focus. O patamar elevado reflete justamente a tentativa do Banco Central de conter a escalada inflacionária por meio de uma política monetária restritiva. Para o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado projeta crescimento de 1,85% no ano — ritmo considerado modesto e que indica desaceleração da atividade econômica frente aos anos anteriores.
No mercado financeiro, o Ibovespa fechou o pregão do dia em 176.975 pontos, com recuo de 0,17%. Já o dólar comercial encerrou cotado a R$ 4,999, em queda de 1,37% na sessão, segundo dados da CNN Brasil. A desvalorização pontual da moeda norte-americana, no entanto, não tem sido suficiente para reverter as expectativas inflacionárias de médio prazo, conforme apontam analistas consultados pelas agências de notícias.
Perspectivas
O cenário desenhado pelo Boletim Focus coloca o Banco Central diante de um dilema entre manter juros elevados para ancorar as expectativas de inflação e os possíveis impactos negativos sobre o crescimento econômico e o mercado de crédito. Segundo a Agência Brasil, o próprio Banco Central já havia sinalizado, em março, uma previsão de crescimento do PIB de 1,6% para 2026 — abaixo até da estimativa atual do mercado.
A sequência de revisões para cima na projeção de inflação será acompanhada de perto nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá os próximos passos da taxa Selic. A manutenção ou eventual elevação dos juros dependerá da trajetória dos preços e da resposta da economia nos próximos meses.