O mercado financeiro elevou pela nona semana consecutiva sua projeção para a inflação de 2026, que passou de 4,89% para 4,91%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. O índice supera o teto da meta de inflação, fixado em 4,5% ao ano.

De acordo com a Agência Brasil, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula revisões sucessivas para cima, refletindo a percepção de agentes do mercado de que as pressões inflacionárias seguem resistentes. A meta central de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — o que estabelece o teto em 4,5%.

Juros e política monetária

A projeção para a taxa básica de juros aponta que a Selic deve encerrar 2026 em 13% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está prevista para os dias 16 e 17 de junho, quando o colegiado decidirá sobre a manutenção ou eventual ajuste na taxa, atualmente em patamar elevado para conter a alta de preços.

Conforme reportado pela CNN Brasil, que acompanhou as revisões anteriores do Focus, o movimento de alta nas projeções de inflação já se estende por várias semanas, evidenciando uma deterioração persistente nas expectativas dos analistas consultados pelo Banco Central.

Crescimento econômico

Para a atividade econômica, o Boletim Focus indica que o mercado projeta crescimento de 1,85% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O número sugere uma desaceleração em relação ao desempenho recente da economia brasileira, em um cenário no qual juros elevados tendem a restringir o crédito e o consumo.

A combinação de inflação acima do teto da meta com crescimento moderado representa um desafio para a condução da política econômica, uma vez que o Banco Central precisará calibrar a taxa de juros para buscar a convergência dos preços sem comprometer excessivamente a atividade.

O Boletim Focus é publicado semanalmente pelo Banco Central e reúne as medianas das estimativas de cerca de 100 instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos do país.