São Paulo e Santa Catarina devem concentrar mais da metade do impacto das tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entram em vigor em 22 de julho de 2026. Juntos, os dois estados respondem por 52% do valor total das exportações afetadas, estimado em US$ 7,4 bilhões.

Segundo a Agência Brasil, São Paulo lidera a exposição ao tarifaço com US$ 3 bilhões em exportações atingidas, o equivalente a 41,6% do montante total sob efeito das novas tarifas americanas. O estado concentra embarques de produtos industrializados com destino ao mercado dos EUA, incluindo máquinas, equipamentos e bens intermediários que passam a enfrentar sobretaxas significativas.

Santa Catarina aparece como o estado proporcionalmente mais vulnerável. Conforme levantamento repercutido pelo ND Mais com dados da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), 68% das vendas catarinenses ao mercado americano são impactadas pelas novas tarifas. Setores como madeira, calçados, móveis e máquinas estão entre os mais afetados, o que representa um desafio relevante para a base exportadora do estado, fortemente orientada para produtos manufaturados.

A combinação de alta concentração setorial e dependência do mercado americano torna os dois estados especialmente expostos à medida tarifária do governo de Donald Trump. A tarifa adicional de 25% se soma a eventuais taxas já existentes sobre determinados produtos, elevando o custo de entrada de mercadorias brasileiras nos Estados Unidos e reduzindo a competitividade frente a concorrentes de países não afetados pelas mesmas sobretaxas.

Diante do cenário, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões voltado a auxiliar empresas brasileiras na diversificação de mercados. A iniciativa busca reduzir a dependência de exportadores em relação aos EUA, direcionando esforços comerciais para destinos alternativos que possam absorver parte da produção afetada pelo tarifaço.

De acordo com a Agência Brasil, o pacote da ApexBrasil prevê ações de prospecção comercial, participação em feiras internacionais e apoio a pequenas e médias empresas que buscam novos compradores fora do mercado americano. A expectativa é que a estratégia de diversificação minimize os efeitos das tarifas no médio prazo, embora analistas apontem que a substituição de um mercado do porte dos Estados Unidos não ocorre de forma imediata.