ONU News Perspectiva Global Reportagens Humanas ONU News Perspectiva Global Reportagens Humanas Pesquisar África tem desafios agravados após queda de 26% na ajuda internacional BR © Unicef/Jospin Benekire Uma menina que vivia em campos de deslocados internos nos arredores de Goma carrega sua barraca na cabeça enquanto busca abrigo a caminho da vila de Shasha, na província de Kivu do Norte, República Democrática do Congo, em 14 de fevereiro de 2025.

Facebook Twitter Imprimir Email África tem desafios agravados após queda de 26% na ajuda internacional 25 Junho 2026 Desenvolvimento econômico Crises financeiras, energéticas e alimentares reduzem sucessivamente a margem orçamental dos países africanos; quebra de doações compromete financiamento de serviços essenciais para comunidades do continente. Em 2025, a ajuda bilateral à África Subsaariana caiu drasticamente.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, os cortes chegaram a quase 26% num único ano. A crise colocou o apoio multilateral também sob pressão, com grandes instituições projetando mais reduções nos seus orçamentos.

Durante décadas, a ajuda pública ao desenvolvimento foi um pilar central do desenvolvimento na África Subsariana.

Mas, o FMI avisa que nos últimos meses, esse pilar está a enfraquecer de forma rápida e abrangente.

Serviços essenciais e doações internacionais A região apresentou a maior dependência de ajuda em nível global em 2024, com verbas para financiar serviços essenciais como saúde, educação e assistência humanitária. Em média, o auxílio representou 3% do Produto Interno Bruto, PIB, em nível regional, atingindo os 6% ou níveis consideravelmente superiores em países como o Sudão do Sul (mais de 30%), a República Centro-Africana (cerca de 20%) e a Gâmbia (cerca de 15%) em 2024. De acordo com o FMI, os cortes no investimento prejudicam a ação dos parceiros de desenvolvimento e de várias organizações não-governamentais, ONG, que prestam serviços diretamente às populações mais necessitadas. © Unsplash/Clyde Thomas Uma plataforma petrolífera na Cidade do Cabo, África do Sul Crises sucessivas reduzem margem orçamental A resposta eficaz a crises, como o recente surto de ébola na República Democrática do Congo e no Uganda, depende fortemente da infraestrutura de saúde e humanitária financiada pela ajuda internacional. O FMI sublinha que os cortes surgem numa altura em que os amortecedores tradicionais estão mais fracos: instituições multilaterais e ONGs, que frequentemente suavizaram quedas anteriores, enfrentam agora também restrições de financiamento.

Por sua vez, os impactos da pandemia, as condições financeiras globais mais restritivas e as crises alimentares e energéticas reduziram sucessivamente a margem orçamental dos países africanos.

Novas medidas Perante esta reconfiguração do financiamento, o FMI destaca a necessidade de os países africanos protegerem e direcionarem a ajuda de maior impacto para setores estratégicos, diversificarem os instrumentos de financiamento e reforçarem a capacidade interna das suas instituições nacionais.

Segundo a organização, as implicações da reconfiguração do financiamento ao desenvolvimento variarão entre países, consoante a sua exposição de cada um a choques externos, os amortecedores iniciais e as escolhas políticas. No entanto, a direção é clara: a dependência de ajuda externa tornar-se-á mais incerta, e as políticas internas ganharão maior importância, prevê o FMI. ♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News ♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android ♦ Siga-nos no Twitter !

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