O bloqueio do Estreito de Ormuz, em vigor desde 28 de fevereiro de 2026, interrompeu cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e parcela significativa das exportações de gás natural liquefeito (GNL) da região, no que a Agência Internacional de Energia (AIE) classificou como o maior desafio de segurança energética da história.

A interrupção é consequência direta do conflito armado entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, do outro, deflagrado após o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei em fevereiro de 2026. A escalada militar levou Teerã a bloquear a passagem marítima estratégica, por onde transita parcela decisiva do comércio global de hidrocarbonetos.

Impacto no fornecimento de energia

Segundo informações reunidas pela CNBC, o fechamento do estreito provocou uma ruptura imediata nas cadeias globais de abastecimento de petróleo e gás. Navios-tanque que normalmente cruzam o corredor — um dos mais movimentados do mundo — foram impedidos de transitar desde o início da campanha aérea. A interrupção afeta não apenas países importadores de petróleo na Ásia e na Europa, mas também nações do próprio Golfo Pérsico, cuja dependência de importações de alimentos por via marítima é elevada. De acordo com os dados disponíveis, cerca de 70% das importações de alimentos dos países do Golfo foram comprometidas pelo bloqueio.

Risco de recessão na Europa

O Banco Central Europeu (BCE) emitiu alerta sobre o risco de estagflação no bloco, cenário que combina estagnação econômica com inflação persistente. Segundo o BCE, Alemanha e Itália enfrentam risco concreto de recessão técnica até o fim de 2026, dado o peso dos custos energéticos sobre suas economias industriais. A alta nos preços do petróleo e do gás repercute diretamente sobre os custos de transporte e produção, pressionando também os preços de alimentos em toda a Europa.

Crise alimentar no Golfo

A dependência dos países do Golfo Pérsico de importações alimentares por via marítima transformou o bloqueio em uma crise humanitária em potencial. Com 70% dessas importações comprometidas, governos da região enfrentam desafios logísticos para garantir o abastecimento de suas populações por rotas alternativas, mais longas e mais custosas.

Perspectivas

A crise no Estreito de Ormuz permanece sem previsão de resolução enquanto o conflito militar prosseguir. Segundo analistas consultados pela CNBC, a duração do bloqueio determinará a profundidade dos impactos econômicos globais. A AIE monitora a situação e coordena com países membros a possível liberação de reservas estratégicas de petróleo, mas especialistas alertam que nenhuma medida compensatória é capaz de repor integralmente o volume interrompido pela passagem do estreito.