ONU News Perspectiva Global Reportagens Humanas ONU News Perspectiva Global Reportagens Humanas Pesquisar Haiti entre a sombra da violência e os caminhos para a reconstrução BR © WFP/ Sylvain Barral Crise haitiana é alimentada por um complexo ecossistema de crime organizado transnacional Facebook Twitter Imprimir Email Haiti entre a sombra da violência e os caminhos para a reconstrução 20 Julho 2026 Paz e segurança Conselho de Segurança aborda crise humanitária e de segurança; primeiro semestre encerrou com mais de 2,3 mil mortes e centenas de vítimas de violência sexual; parceria internacional e ação multilateral tidos como cruciais para a estabilidade. O Haiti permanece no centro de uma profunda e interconectada crise política, humanitária e de segurança.
Nesta segunda-feira, a situação no país caribenho voltou à mesa de debates no Conselho de Segurança da ONU. Os 15 países-membros do órgão ouviram uma análise do impacto do crime organizado sobre a população e o que deve ser feito para restaurar a ordem e a soberania do Haiti Mais de 2,3 mil mortos em 6 meses No encontro, foram apresentados os dados do mais recente Relatório do Secretário-Geral sobre o Escritório Integrado da ONU no Haiti, Binuh, acompanhados por exposições da diretora-geral do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, Monica Juma, e da secretária-geral adjunta, Daniela Kroslak. O debate contou ainda com as intervenções do representante especial e chefe do Binuh, Carlos Ruiz Massieu, e do representante especial para a Força de Supressão de Gangues, Jack Christofides. © WFP Cooperação multilateral e o compromisso renovado da comunidade internacional representam os sinais mais concretos de esperança Segundo estimativas do Escritório da ONU para os Direitos Humanos, apenas nos primeiros seis meses de 2026 a violência no país deixou pelo menos 2.310 mortos, 99 sequestros e 699 vítimas registradas de violência sexual.
Paralelamente, centenas de crianças são aliciadas e traficadas por facções criminosas.
Calcula-se que grupos armados controlem até 90% da capital, Porto Príncipe, avançando sobre os departamentos de Centro, Artibonite e Sudeste.
Controle geográfico Além dos ataques diretos à população civil, as gangues mantêm o domínio sobre infraestruturas críticas, como portos, depósitos de combustível, rodovias estratégicas e cidades fronteiriças.
Esse controle geográfico visa monopolizar as cadeias de suprimentos e extorquir a população local.
Embora as recentes operações conduzidas pelas forças de segurança tenham forçado o recuo de criminosos em pontos estratégicos e recuperado alguns prédios institucionais, a ONU adverte que esses avanços continuam sendo parciais e extremamente frágeis. © WFP/ Sylvain Barral Controle geográfico visa monopolizar as cadeias de suprimentos e extorquir a população local Para conter a escalada da criminalidade, Carlos Ruiz Massieu relembrou o relatório de maio sobre as opções de Desarmamento, Desmantelamento e Reintegração, DDR, elaborado em cumprimento à Resolução 2814 do Conselho de Segurança. As propostas apresentadas pelo secretário-geral variam desde um plano de resposta rápida de 12 meses, orçado em US$ 13,5 milhões, até um programa abrangente estimado entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões.
Fundo de vários parceiros A recomendação principal da ONU defende a implementação do plano plurianual, acompanhado da criação de um fundo de vários parceiros, copresidido pelo governo do Haiti e pelas Nações Unidas, para garantir um financiamento estável, flexível e previsível para as ações de DDR. A sustentação da crise haitiana é alimentada por um complexo ecossistema de crime organizado transnacional. O tráfico ilegal de armas de fogo viabiliza os confrontos diretos, enquanto o tráfego de drogas, principalmente cocaína e maconha, consolida-se como a maior fonte de receita das redes criminosas, ampliando a relevância logística do Haiti nas rotas do Caribe.
Somam-se a esse cenário o contrabando de migrantes, o tráfico de pessoas, a corrupção e a lavagem de dinheiro, elementos que desestruturam ainda mais o tecido social do país.
Complexidade do cenário Após visita oficial ao território haitiano, a diretora-executiva do Unodc, Monica Juma, enfatizou que a complexidade do cenário exige um apoio internacional coordenado em duas frentes.
Ela defendeu a necessidade de intervenções imediatas para neutralizar o domínio das gangues, combinadas a esforços contínuos para fortalecer marcos legais, construir instituições públicas sólidas, proteger populações vulneráveis e restaurar os meios de subsistência no país.
Apesar dos desafios severos, a cooperação multilateral e o compromisso renovado da comunidade internacional representam os sinais mais concretos de esperança na busca por estabilidade para o povo haitiano. ♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News ♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android ♦ Siga-nos no Twitter !
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