O suicídio não é apenas uma questão de saúde mental, mas um desafio social, de saúde pública e de direitos humanos.

Foi assim que a ministra portuguesa da Saúde, Ana Paula Martins, começou o seu discurso no evento paralelo da Assembleia Mundial da Saúde, AMS, sobre a prevenção do suicídio baseada na evidência.

Terceira principal causa de morte entre jovens

"Cada morte representa uma vida perdida, uma família transformada para sempre e uma comunidade deixada com perguntas que nenhum sistema de saúde poderia ou deveria ignorar".

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, por causa da terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Até 73% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média rendas.

No evento, a ministra afirmou que "a prevenção do suicídio é saúde pública prática: sistemas mais seguros, comunicação responsável, acesso oportuno ao cuidado e conexões comunitárias mais fortes".

Como o suicídio pode ser prevenido

A representante portuguesa também disse que, "acima de tudo, reflete a crença de que vidas podem ser salvas quando as evidências são acompanhadas de vontade política".

"Portugal está pronto para trabalhar com parceiros de diferentes regiões para transformar compromisso em implementação e evidência em ação", afirmou.

Segundo a ministra, o suicídio pode ser prevenido quando os países combinam, por exemplo, cuidados oportunos, apoio comunitário, ações sobre determinantes sociais e medidas para reduzir o acesso aos meios de suicídio.

Reforma na área da saúde mental

A ministra informou que o país vem promovendo uma transformação baseada em direitos no cuidado em saúde mental. A atuação inclui reforçar serviços comunitários, aproximar o atendimento das comunidades, melhorar a continuidade entre cuidados primários e especializados, além de apoio social e redução do estigma.

"Essa reforma desloca o sistema do cuidado institucional para o cuidado comunitário, de respostas reativas para intervenções precoces e de uma oferta fragmentada para trajetórias integradas de cuidado", explicou.

Portugal defende que essa atuação promove respostas mais integradas, humanizadas e centradas na pessoa.

Linha Nacional de Prevenção do Suicídio

Um passo concreto foi a criação da Linha Nacional de Prevenção do Suicídio de Portugal, o número 1411, um serviço gratuito disponível 24 horas por dia.

O serviço está integrado ao centro de contacto digital do Serviço Nacional de Saúde português e tem apoio de profissionais de saúde mental. No entanto, uma linha de apoio é apenas um componente de uma estratégia mais ampla.

A ministra falou sobre três prioridades: primeiro, a identificação precoce e o acompanhamento; segundo, a prevenção entre os jovens por meio de ambientes que promovam pertencimento e alfabetização emocional; e, por fim, a restrição do acesso aos meios de suicídio.

Certificado de eliminação de gorduras trans

A participação de Portugal na Assembleia da OMS fica marcada por um certificado de validação da eliminação de gorduras trans. A ministra defendeu que a eliminação dos ácidos gordos trans produzidos industrialmente é "um marco relevante para a saúde pública nacional e global".

Segundo ela, esses compostos são um importante fator de risco dietético, fortemente associado a doenças cardiovasculares e mortalidade prematura, sendo a eliminação uma das intervenções mais custo-efetivas recomendadas pela OMS.