ONU News Perspectiva Global Reportagens Humanas ONU News Perspectiva Global Reportagens Humanas Pesquisar ONU aponta crise humanitária e opressão de mulheres no Afeganistão BR © Unfpa Afeganistão Talibã promulgou mais de 230 decretos que retiram direitos básicos de mulheres e meninas Facebook Twitter Imprimir Email ONU aponta crise humanitária e opressão de mulheres no Afeganistão 11 Junho 2026 ODS Sob o regime talibã, milhões de afegãos dependem de ajuda humanitária, enquanto mulheres e meninas são privadas de direitos humanos básicos, agravando a fome e a fragilidade econômica do país. Um informe ao Conselho de Segurança das Nações Unidas alerta que, apesar da aparente estabilidade sob o regime talibã, o Afeganistão enfrenta uma crise humanitária cada vez mais grave. As restrições impostas às mulheres e meninas, que limitam a educação, o trabalho e a participação social, agravam tanto a situação econômica quanto o quadro humanitário do país. Opressão de gênero institucionalizada Apesar das autoridades de facto terem consolidado o controle territorial e administrativo, a líder da Missão da ONU no Afeganistão, Unama, Georgette Gagnon, afirma que essa estabilidade esconde problemas estruturais. Segundo a Unama, quase 5,9 milhões de afegãos retornaram ao país desde 2023. Outros 2,8 milhões de cidadãos podem regressar este ano, mesmo diante de oportunidades limitadas e comunidades fragilizadas. © UNAMA/Aashiqullah Mandozai Mais de um milhão de meninas foram privadas do seu direito à educação desde que as autoridades talibãs proibiram o ensino secundário para meninas. Ainda assim, o Afeganistão permanece entre os países com maior crise humanitária do mundo, com 21,9 milhões de pessoas necessitando de assistência em 2026. Mulheres e crianças estão entre os grupos mais impactados. Estima-se que 3,8 milhões de meninas entre sete e 18 anos estejam fora da escola em 2026. "Sistema de opressão de gênero" A fundadora do Arquivo de Justiça do Afeganistão, Metra Mehran, descreveu o cenário como um "sistema de opressão de gênero institucionalizada". Desde 2021, o Talibã promulgou mais de 230 decretos que retiram direitos básicos de mulheres e meninas, incluindo acesso à educação, ao emprego, à liberdade de movimento e à participação pública. Mehran destacou ainda um novo Código de Processo Penal formalizando a discriminação e legitimando a violência contra mulheres, tornando-as propriedades dos esposos e sujeitas a intimidação, violência e prisões em caso de resistência. Insegurança alimentar A diretora da Divisão de Resposta a Crises do Escritório da ONU para a Assistência Humanitária, Edem Wosornu, reforçou que as condições de vida no país estão cada vez mais fragilizadas. © ONU Mulheres/Sayed Habib Bidell Mulheres aprendem a ler e escrever por meio de uma iniciativa de alfabetização apoiada pela ONU Mulheres na província de Nuristan, no leste do Afeganistão As restrições impostas pelo Talibã enfraqueceram setores como saúde e educação e prejudicaram a economia. A retomada dos combates na fronteira com o Paquistão deslocou mais de 100 mil pessoas, deixando comunidades isoladas e sem assistência por semanas. Segundo Wosornu, a fome está em alta: 4,7 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar crítica, um aumento de 50% em relação ao ano anterior. Ela relatou casos de famílias que recorreram a medidas desesperadas para sobreviver, incluindo a venda de meninas, enquanto as restrições impostas às mulheres seguem dificultando operações humanitárias. "Sistema de opressão de gênero" A fundadora do Arquivo de Justiça do Afeganistão, Metra Mehran, descreveu o cenário como um "sistema de opressão de gênero institucionalizada". Desde 2021, o Talibã promulgou mais de 230 decretos que retiram direitos básicos de mulheres e meninas, incluindo acesso à educação, ao emprego, à liberdade de movimento e à participação pública. Desde o início do mês, o Unama registrou mais de 30 prisões e dezenas de advertências verbais contra mulheres acusadas de violarem o código de vestimenta. Em Herat, terceira cidade mais populosa do país, protestos contra as detenções arbitrárias resultaram em uma pessoa morta a tiros e vários feridos, após uso da força pelas autoridades de facto. Mehran destacou ainda um novo Código de Processo Penal formalizando a discriminação e legitimando a violência contra mulheres, tornando-as propriedades dos esposos e sujeitas a intimidação, violência e prisões em caso de resistência. ♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News ♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android ♦ Siga-nos no Twitter ! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud Afeganistão grupo islâmico Talibã Facebook Twitter Imprimir Email