A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou que já foram confirmados 82 casos e sete mortes por ebola na República Democrática do Congo, RD Congo. O país registra ainda 750 casos e 177 mortes suspeitas da doença.

O director-geral da OMS afirmou que a situação é "profundamente preocupante".

Pilares de ação

Falando a jornalistas em Genebra, Tedros Ghebreyesus disse que a epidemia está se espalhando rapidamente na nação africana e que, por isso, a OMS revisou sua análise, elevando o risco a nível nacional de "alto" para "muito alto".

A agência da ONU enviou até o momento 22 profissionais para a RD Congo. Eles estão apoiando todos os pilares da resposta à doença, incluindo rastreamento de contactos, comunicação de risco, estabelecimento de centros de tratamento, engajamento comunitário.

A situação em Uganda, o país vizinho, é considerada estável com dois casos confirmados e apenas uma morte.

Busca por tratamentos

Um Grupo Técnico Consultivo de Pesquisa e Desenvolvimento para Tratamentos recomendou a priorização de dois anticorpos monoclonais, além da avaliação do antiviral obeldesivir em ensaio clínico como profilaxia pós-exposição.

Ao contrário de muitos surtos anteriores de ebola, que foram causados pelo vírus Zaire, a crise atual é causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas ou terapias aprovadas.

Mulheres têm mais probabilidade de morrer

A ONU Mulheres fez um alerta sobre o impacto desproporcional do ebola na população feminina.

Durante o surto de ebola de 2018–2019 na RD Congo, mulheres e meninas representaram cerca de dois terços dos casos notificados. Na Libéria em 2014, em algumas comunidades, elas representaram até três quartos das mortes.

A chefe de Ação Humanitária da ONU Mulheres, Sofia Caltorp, disse que isso não ocorre porque a doença seja mais letal para as mulheres, mas sim porque elas têm maior probabilidade de serem infectadas devido a fatores sociais.

A ONU Mulheres apela por financiamento contínuo e flexível para organizações lideradas por mulheres para que possam continuar seu trabalho na proteção de comunidades, no combate à desinformação e no apoio a práticas de cuidado seguras.