Profissionais de saúde estão correndo contra o tempo para conter a epidemia de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo. A maior barreira são desafios de instabilidade política e insegurança nas áreas afetadas pela doença.
A representante da OMS no país contou à ONU News que os grandes deslocamentos de pessoas causados por conflitos estão ajudando a espalhar a doença.
Rastreamento e isolamento
Anne Ancia explicou que, na ausência de vacinas, a única forma de conter a transmissão do vírus é rastreando os contactos e isolando os casos suspeitos.
"As comunidades devem limpar as mãos, devem fazer distanciamentos sociais. Vão ter que fazer funerais em segurança. Precisamos que a pessoa que apresente os sintomas venha, muito rapidamente, para a infraestrutura de saúde para receber o tratamento e também para fazer uma lista dos contactos que tiveram todos os dias, desde cinco dias antes de apresentar os sintomas. Vamos ter que isolar essas pessoas e fazer o seguimento."
Anne destacou que embora vivam sob extrema vulnerabilidade, as comunidades já conhecem a doença, pois enfrentaram um surto de grandes proporções em 2018 e 2019, quando mais de 2,3 mil pessoas morreram de ebola.
Letalidade de 50%
Anne Ancia foi informada que as autoridades de saúde locais estavam investigando mortes relacionadas a uma doença desconhecida em Bunia. Testes para ebola chegaram a ser feitos, mas o resultado foi negativo.
A OMS apoiou o envio das amostras para a capital, Kinshasa, onde foi confirmado o vírus do tipo Bundibugyo, que é mais raro e, portanto, não estava sendo detectado no nível da província. A agência tem apoiado desde então a resposta do governo.
Anne enfatizou que o Bundibugyo é menos virulento que o Zaire, mas tem uma letalidade de cerca de 50%, considerada muito grave.
Proteção de profissionais de saúde
Alguns casos também foram identificados entre os profissionais de saúde. Anne explicou que protocolos rigorosos de biossegurança precisam ser estabelecidos para proteger as equipas.
"As pessoas profissionais de saúde vão ter que pôr equipamento de proteção pessoal nas infraestruturas de saúde. Vamos estabelecer sistemas de prevenção e controle das infecções."
Outro ponto crucial será a gestão do lixo biológico, o que requer uma grande operação logística para prevenir infecções.
Devido a quantidade crescente de casos, a OMS está trabalhando com organizações parceiras para identificar ou construir novas estruturas que possam ser usadas como unidades de isolamento e tratamento.