O presidente russo Vladimir Putin viaja a Pequim nesta segunda e terça-feira, 19 e 20 de maio, para um encontro oficial com o líder chinês Xi Jinping, durante o qual os dois países devem assinar a chamada "Declaração sobre o Estabelecimento de um Mundo Multipolar", documento de 47 páginas que pretende redesenhar o equilíbrio de forças no cenário internacional.
O que prevê a declaração
Segundo o Diário Carioca, o documento aborda o que ambos os governos classificam como "temas urgentes da agenda global" e representa uma tentativa conjunta de formalizar a visão sino-russa para uma ordem internacional que não gire exclusivamente em torno do poder de Washington. A extensão do texto — 47 páginas — indica que a declaração vai além de princípios genéricos e deve conter posicionamentos específicos sobre governança global, comércio e segurança.
A assinatura do pacto ocorre em um momento de aproximação cada vez mais evidente entre Moscou e Pequim, impulsionada, conforme analistas ouvidos por veículos internacionais, pela pressão crescente dos Estados Unidos sobre ambos os países por meio de tarifas comerciais e pacotes de sanções.
Contexto: o eixo Moscou-Pequim como contraponto a Washington
De acordo com o NDMais, a visita de Putin à capital chinesa acontece semanas após o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, ter estado em Pequim. A sequência de visitas de alto nível à China reforça o papel central que o país asiático ocupa no tabuleiro geopolítico atual, funcionando simultaneamente como interlocutor de Washington e como parceiro estratégico de Moscou.
A consolidação do eixo sino-russo é interpretada por observadores internacionais como uma resposta direta às políticas comerciais e de contenção promovidas pelos Estados Unidos. Para a Rússia, que enfrenta sanções ocidentais em decorrência do conflito na Ucrânia, a parceria com a China representa não apenas um alinhamento político, mas também uma válvula econômica essencial. Para Pequim, a aproximação com Moscou reforça seu discurso em defesa de uma ordem internacional menos dependente das instituições e alianças lideradas pelos EUA.
O que esperar do encontro
A agenda oficial prevê dois dias de reuniões entre as delegações dos dois países. Além da assinatura da declaração conjunta, a expectativa, conforme os veículos que acompanham a visita, é de que Putin e Xi discutam cooperação bilateral em áreas como energia, tecnologia e defesa, além de posicionamentos coordenados em fóruns multilaterais.
O encontro deverá ser acompanhado de perto por governos ocidentais, que monitoram os desdobramentos da parceria Moscou-Pequim e seus possíveis impactos sobre negociações em curso relacionadas à guerra na Ucrânia e às disputas comerciais globais. A formalização de um documento dessa envergadura pode sinalizar uma nova fase na articulação conjunta dos dois países frente ao que ambos descrevem como unilateralismo nas relações internacionais.