O mundo firmou um compromisso ambicioso: proteger 30% dos oceanos até 2030, a chamada meta 30x30. Mas, segundo a The Conversation, cerca de apenas 10% das águas oceânicas contam hoje com proteção formal — e grande parte dessas áreas existe apenas no papel, sem fiscalização ou gestão efetiva.

Proteção formal não garante conservação real

O avanço numérico em direção à meta esconde uma realidade mais complexa. Delimitar uma área marinha como protegida não significa, necessariamente, que a biodiversidade local esteja sendo preservada. Muitas zonas classificadas como protegidas permitem atividades como pesca industrial, mineração e tráfego intenso de embarcações, o que compromete os objetivos de conservação.

Especialistas alertam, de acordo com a The Conversation, que a qualidade da proteção importa tanto quanto a quantidade de área coberta. Uma região marinha bem gerida, com restrições reais e monitoramento constante, pode ser mais eficaz do que dezenas de zonas nominalmente protegidas sem nenhuma aplicação prática das regras.

O desafio para países em desenvolvimento

Para nações como o Brasil, que possui uma das maiores zonas econômicas exclusivas do mundo, o desafio é duplo: ampliar a cobertura de áreas marinhas protegidas e garantir que essas áreas funcionem de fato. O litoral brasileiro abriga ecossistemas de alta relevância, como recifes de corais, manguezais e áreas de reprodução de espécies ameaçadas.

A meta 30x30 foi acordada no âmbito do Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, firmado em 2022 durante a COP15 da Convenção sobre Diversidade Biológica, da ONU. O acordo representa um dos compromissos ambientais mais abrangentes já assumidos pela comunidade internacional no campo dos oceanos.

Quantidade versus qualidade

O debate central, segundo a The Conversation, não é apenas sobre quantos quilômetros quadrados de oceano serão delimitados até 2030, mas sobre o que acontece dentro dessas fronteiras. Pesquisadores defendem que os países adotem critérios mais rigorosos para classificar uma área como efetivamente protegida, incluindo indicadores de saúde ecológica e presença de fiscalização.

Sem essa mudança de abordagem, o cumprimento formal da meta pode criar uma falsa sensação de progresso enquanto os oceanos continuam sob pressão crescente do aquecimento global, da poluição e da sobrepesca.

Este artigo foi originalmente publicado pela The Conversation sob licença CC BY-NC-ND (Creative Commons — attribution, non-commercial, no derivatives). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro. A licença original exige que qualquer uso mantenha a atribuição e proíba usos comerciais.