Shakira Galíndez fugiu da Venezuela por ser uma mulher trans em situação de vulnerabilidade. Hoje, ela está detida em uma unidade masculina nos Estados Unidos, exposta a discriminação, violência e ao risco de deportação.
O caso, relatado pela Global Voices, ilustra uma crise mais ampla enfrentada por venezuelanas transgênero que buscam refúgio nos EUA. Ao chegarem ao país, muitas são alocadas em centros de detenção de acordo com o sexo registrado em documentos oficiais — e não com sua identidade de gênero.
Detenção em ambiente hostil
A situação de Galíndez é considerada especialmente grave por organizações de direitos humanos. Mulheres trans detidas em unidades masculinas ficam expostas a riscos elevados de abuso físico e sexual, além de sofrerem isolamento e tratamento degradante por parte de outros detentos e, em alguns casos, de agentes do próprio sistema.
A Venezuela é apontada como um dos países com maiores índices de violência contra pessoas LGBTQIA+ na América Latina. Muitas solicitantes de asilo trans venezuelanas chegam aos EUA após sofrerem perseguição, agressões e exclusão social em seu país de origem — o que, segundo organizações de defesa de direitos, deveria qualificá-las para proteção internacional.
Contexto mais amplo
O caso ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias norte-americanas, que têm resultado em aumento das detenções e deportações de solicitantes de asilo. Para pessoas trans, o processo é ainda mais arriscado: além das barreiras burocráticas comuns a qualquer solicitante, elas enfrentam um sistema que frequentemente ignora sua identidade de gênero.
Segundo a Global Voices, o caso de Shakira Galíndez não é isolado. Ele representa um padrão que afeta dezenas de mulheres trans venezuelanas presas no limbo entre a perseguição em seu país de origem e a hostilidade institucional nos EUA.
Organizações de direitos humanos têm pressionado as autoridades norte-americanas por políticas que garantam a alocação de pessoas trans em unidades compatíveis com sua identidade de gênero, bem como por processos de asilo que reconheçam a perseguição por identidade de gênero como fundamento legítimo para proteção.
Este artigo foi originalmente publicado pela Global Voices sob licença CC-BY (Creative Commons — atribuição exigida). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro.