Neste mês do Orgulho, a Electronic Frontier Foundation (EFF) está respondendo perguntas sobre direitos digitais em sua iniciativa LGBT Q&A. Uma das questões mais frequentes é: existe alguma forma de apagar da internet informações que possam revelar minha identidade queer?

A resposta da EFF é direta: não é possível proteger tudo o tempo todo, mas existem formas de remover informações pessoais da internet.

Onde seus dados aparecem

Segundo a EFF, a maior parte das informações disponíveis sobre uma pessoa online costuma estar em dois lugares. O primeiro são os próprios sites onde o usuário publicou os dados voluntariamente — fotos e vídeos em redes sociais, comentários em fóruns e avaliações, e até anúncios de produtos à venda.

O segundo são os chamados data brokers (corretores de dados). Essas empresas coletam informações pessoais, reempacotam e vendem para quem pagar mais. Os dados comercializados frequentemente incluem endereço residencial, número de telefone, informações sobre familiares e muito mais.

O melhor momento para agir é agora

De acordo com a EFF, o momento ideal para tomar medidas de proteção é antes que qualquer problema ocorra. Uma vez que essas informações chegam às mãos de agentes mal-intencionados, as opções disponíveis se tornam muito mais limitadas.

Como verificar o que está exposto

A organização recomenda que cada pessoa pesquise por si mesma o que está disponível sobre ela na internet. O processo é simples: basta abrir um mecanismo de busca e digitar o próprio nome, apelido, nome de usuário ou avatar para ver o que aparece. Também vale pesquisar pelo endereço, número de telefone e endereços de e-mail.

A EFF orienta que essa busca seja feita em uma janela de navegação privada, ou em um navegador diferente do usado habitualmente, para garantir que nenhuma conta conectada — como uma conta do Google — interfira nos resultados e distorça o que realmente aparece para outras pessoas.

Reduza sua exposição preventivamente

A fundação também recomenda tornar o máximo possível das informações pessoais privadas antes que qualquer situação de risco se configure. Revisar as configurações de privacidade em redes sociais, limitar o que está visível publicamente e solicitar a remoção de dados junto a corretores de informação são passos que podem reduzir significativamente a exposição de dados sensíveis, incluindo aqueles que possam indicar a identidade LGBTQIA+ de uma pessoa.


Este artigo foi originalmente publicado pela Electronic Frontier Foundation sob licença CC-BY (Creative Commons — atribuição exigida). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro.