Nas primeiras semanas à frente da Electronic Frontier Foundation (EFF), a nova diretora-executiva da organização afirma que cada dia reforça a importância do momento atual para definir o tipo de futuro que a sociedade terá. Segundo ela, o que cada pessoa fizer — com sua expertise, energia e recursos — determinará se o futuro será marcado pela abertura, segurança e direitos fundamentais, ou controlado pelo medo, vigilância e poder centralizado.

Vitória no Supremo, mas cenário permanece tenso

A EFF comemora uma decisão importante da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Chatrie v. United States, que reafirmou o direito à privacidade sobre dados de localização e deve ajudar a conter uma frente da vigilância governamental amplificada. No entanto, em outro julgamento, a mesma Corte derrubou 90 anos de precedentes que limitavam o poder do Executivo e referendou a demissão da comissária da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) Rebecca Slaughter pelo presidente.

Restrições à IA e às redes sociais

O governo dos Estados Unidos também emitiu uma diretiva ao laboratório de inteligência artificial Anthropic proibindo que cidadãos estrangeiros acessassem suas tecnologias mais recentes — ordem que foi revogada duas semanas depois. Paralelamente, legislações que restringem o acesso a redes sociais avançam em diversas partes do mundo, segundo a EFF.

Um padrão preocupante

Para a organização, cada manchete isolada conta uma história comum: muitas das ameaças que antes pareciam hipotéticas tornaram-se realidade. Governos e grandes corporações dispõem de capacidades de vigilância sem precedentes, e o trabalho da EFF para garantir que a tecnologia sirva aos direitos, à justiça, à liberdade e à inovação nunca foi tão urgente.

A entidade reforça que é possível — e necessário — rejeitar a falsa escolha entre inovação e liberdades civis, e convoca apoiadores a se engajarem na defesa dos direitos digitais neste momento que descreve como decisivo para a história.


Este artigo foi originalmente publicado pela Electronic Frontier Foundation sob licença CC-BY (Creative Commons — atribuição exigida). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro.