Neste mês do Orgulho LGBTQIA+, a Electronic Frontier Foundation (EFF) está cobrando publicamente do aplicativo de relacionamentos Grindr mudanças concretas na forma como trata os dados de seus usuários. A organização de defesa dos direitos digitais exige que a privacidade se torne o padrão da plataforma — e não uma opção que o usuário precisa buscar ativamente.

A principal demanda da EFF é que o Grindr deixe de compartilhar dados pessoais com anunciantes e de usar informações privadas para treinar sistemas de inteligência artificial sem o consentimento explícito dos usuários.

Por que a privacidade é questão de segurança para usuários LGBTQIA+

Para pessoas queer, uma violação de privacidade pode ter consequências que vão muito além do constrangimento. Segundo a EFF, informações que revelam orientação sexual, identidade de gênero ou status de HIV podem ser usadas por empregadores, governos, familiares, golpistas ou agentes mal-intencionados para promover assédio, discriminação, prisão ou violência.

Um caso concreto ilustra o risco: em 2021, dados do Grindr e de outros aplicativos de relacionamento gay foram vendidos por corretores de dados e utilizados para expor publicamente a orientação sexual de um padre, sem seu consentimento — prática conhecida em inglês como outing.

Histórico de violações e punições

Apesar de ser o aplicativo de relacionamento gay mais popular do mundo, o Grindr acumula um histórico problemático no tratamento de dados sensíveis, de acordo com a EFF. A plataforma foi flagrada compartilhando o status de HIV e a localização precisa de usuários com anunciantes sem obter consentimento válido, o que resultou em reprimendas e multas em diversos países.

O caso mais emblemático envolveu o próprio ex-Diretor de Privacidade da empresa, que processou o Grindr alegando ter sido demitido após levantar preocupações internas sobre a empresa priorizar "lucro em detrimento da privacidade".

O que a EFF exige

A organização pede que o Grindr adote a privacidade como configuração padrão em toda a plataforma. Isso significa que o compartilhamento de dados com terceiros e o uso de informações para treinar inteligência artificial só deveriam ocorrer com autorização ativa e informada do usuário — e não como uma opção escondida nos menus de configuração.

A pressão da EFF chega em um momento em que o ambiente político e legal para pessoas LGBTQIA+ se torna mais hostil em diversas partes do mundo, tornando a proteção de dados uma questão não apenas de privacidade, mas de segurança física.


Este artigo foi originalmente publicado pela Electronic Frontier Foundation sob licença CC-BY (Creative Commons — atribuição exigida). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro.