As tentativas internacionais de acabar com o programa de armas nucleares da Coreia do Norte chegaram a um impasse. Segundo análise publicada pela The Conversation, as sanções econômicas aplicadas ao longo das últimas décadas nunca foram suficientemente fortes para forçar Pyongyang a abrir mão de seu arsenal nuclear — e há razões estruturais para isso.
Por que as sanções não funcionam
A Coreia do Norte desenvolveu mecanismos sofisticados para contornar as restrições impostas pela comunidade internacional. O país mantém redes de comércio informal, recebe apoio velado de aliados estratégicos como China e Rússia, e trata seu programa nuclear como uma questão de sobrevivência do regime — não como uma ficha de negociação.
Para o governo de Kim Jong-un, as armas nucleares representam a única garantia real contra uma intervenção militar externa. Essa percepção foi reforçada por eventos como a queda de Muamar Kadafi na Líbia, após o país abrir mão de seu programa de armas de destruição em massa. O exemplo serviu de alerta para Pyongyang sobre os riscos de desarmamento.
O que vem a seguir
Diante do fracasso das sanções, especialistas citados pela The Conversation apontam para a necessidade de uma abordagem diferente. Em vez de insistir na desnuclearização completa como pré-condição para qualquer diálogo, potências ocidentais poderiam explorar acordos intermediários — como congelamentos verificáveis do programa nuclear em troca de alívio econômico gradual.
Outra linha de análise sugere que os Estados Unidos e seus aliados precisam aceitar, ao menos temporariamente, a Coreia do Norte como um Estado nuclear de fato, concentrando esforços na contenção e na redução de riscos, em vez de buscar um desarmamento que se mostrou inatingível pelas vias tradicionais.
O contexto para o Brasil e a América Latina
Embora geograficamente distante, a questão norte-coreana tem implicações globais. A estabilidade na península coreana afeta diretamente o comércio internacional, os preços de commodities e a arquitetura de segurança multilateral — temas de interesse direto para países emergentes, incluindo o Brasil.
O Brasil, como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU em mandatos anteriores e defensor histórico do multilateralismo, acompanha de perto os debates sobre não proliferação nuclear. O impasse com a Coreia do Norte enfraquece o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e abre precedentes preocupantes para outros países que buscam desenvolver capacidade nuclear própria.
Segundo a The Conversation, sem uma mudança real de estratégia por parte das grandes potências, o programa nuclear norte-coreano continuará avançando — e o mundo precisará aprender a conviver com essa realidade de forma mais pragmática.
Este artigo foi originalmente publicado pela The Conversation sob licença CC BY-NC-ND (Creative Commons — attribution, non-commercial, no derivatives). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro. A licença original exige que qualquer uso mantenha a atribuição e proíba usos comerciais.