As florestas de algas marinhas da Austrália estão desaparecendo à medida que os oceanos esquentam. Segundo a The Conversation, cientistas alertam que é hora de criar uma espécie de apólice de seguro para esses ecossistemas — e os biobancos de algas surgem como uma das principais apostas para preservar o que resta.

Florestas submersas em risco

As algas marinhas formam ecossistemas densos e biodiversos, comparáveis às florestas tropicais em termos de importância ecológica. Elas servem de habitat e fonte de alimento para centenas de espécies, além de desempenharem papel relevante na absorção de carbono. Na Austrália, essas formações cobrem extensas áreas costeiras e sustentam parte significativa da vida marinha do país.

O aumento das temperaturas oceânicas, impulsionado pelas mudanças climáticas, tem provocado episódios de branqueamento e morte em massa dessas algas. Eventos de calor extremo no mar — conhecidos como ondas de calor marinhas — tornaram-se mais frequentes e intensos nas últimas décadas, comprometendo a capacidade de recuperação natural desses ecossistemas.

A proposta dos biobancos

Diante desse cenário, pesquisadores propõem a criação de biobancos de algas marinhas — repositórios que armazenam material genético e esporos de diferentes espécies em condições controladas. A ideia, segundo a The Conversation, é preservar a diversidade genética dessas plantas antes que populações inteiras sejam perdidas para sempre.

Os biobancos funcionariam de forma semelhante aos bancos de sementes já utilizados para plantas terrestres, como o famoso Banco Global de Sementes de Svalbard, na Noruega. O material armazenado poderia ser usado no futuro para repovoar regiões degradadas ou para desenvolver variedades mais resistentes ao calor.

Corrida contra o tempo

O desafio, conforme aponta a The Conversation, é que o ritmo do aquecimento oceânico pode superar a capacidade de adaptação natural das algas. Algumas espécies já recuaram centenas de quilômetros em direção a águas mais frias, e certas populações locais foram completamente extintas.

Cientistas envolvidos na iniciativa defendem que os biobancos não substituem a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas representam uma ferramenta de contingência essencial. Sem ação climática estrutural, alertam, nenhuma estratégia de conservação será suficiente para reverter a perda dessas florestas submersas.


Este artigo foi originalmente publicado pela The Conversation sob licença CC BY-NC-ND (Creative Commons — attribution, non-commercial, no derivatives). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro. A licença original exige que qualquer uso mantenha a atribuição e proíba usos comerciais.