Apesar de representarem 50% da população, as mulheres ocupam apenas 4,5% das cadeiras na Assembleia Nacional da Nigéria. O país figura consistentemente entre os piores do mundo e do continente africano em termos de representação parlamentar feminina, segundo a Global Voices.

Um déficit histórico de representação

O cenário nigeriano contrasta com avanços registrados em outras nações africanas. Países como Ruanda e África do Sul implementaram mecanismos de cotas que elevaram significativamente a presença de mulheres em seus parlamentos. Na Nigéria, a sub-representação persiste décadas após a redemocratização do país, em 1999.

A disparidade é expressiva: enquanto metade da população é feminina, menos de uma em cada 20 parlamentares é mulher. Organizações de direitos civis e grupos feministas nigerianos têm pressionado por mudanças estruturais no sistema eleitoral para corrigir esse desequilíbrio.

O que propõe o projeto de lei

O chamado Special Seats Bill — projeto que reservaria cadeiras específicas para mulheres na legislatura — voltou ao centro do debate político no país. A proposta busca criar um mecanismo institucional que garanta participação mínima feminina nas casas legislativas, independentemente dos resultados eleitorais gerais.

Críticos do projeto argumentam que cotas podem ser vistas como solução temporária e não estrutural. Defensores, por outro lado, afirmam que sem intervenção legislativa direta, a paridade de gênero no parlamento nigeriano permanecerá distante por gerações.

Contexto global

A média mundial de representação feminina em parlamentos nacionais supera 26%, segundo dados de organismos internacionais. A Nigéria, com seus 4,5%, situa-se muito abaixo desse patamar, o que coloca o país em posição de destaque negativo nos rankings globais de igualdade de gênero na política.

A aprovação ou rejeição do projeto deve movimentar o debate público nigeriano nos próximos meses, em um país onde questões de gênero, etnia e religião frequentemente moldam as disputas legislativas.


Este artigo foi originalmente publicado pela Global Voices sob licença CC-BY (Creative Commons — atribuição exigida). O Jornal Atlas traduziu e adaptou o conteúdo para o público brasileiro.