A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República avalia a escolha de uma mulher como candidata a vice-presidente, em movimento considerado estratégico para conter os efeitos da crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Segundo o Estado de Minas e o Jornal de Brasília, a decisão ganhou urgência após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais em que afirmou ter sido "desrespeitada e humilhada" por Flávio. A ruptura entre os dois teve como estopim a aliança firmada pelo PL com o ex-presidente Ciro Gomes no Ceará, decisão que desagradou Michelle e expôs publicamente as divergências internas na família Bolsonaro.

Nomes cotados

Entre as principais cotadas para a vaga de vice estão as deputadas federais Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), além da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Conforme os veículos, o nome da escolhida deve ser anunciado nas próximas duas semanas.

Julia Zanatta tem se destacado como uma das figuras mais populares da direita nas redes sociais e conta com forte apelo junto ao eleitorado jovem e conservador. Bia Kicis, por sua vez, é uma das parlamentares mais alinhadas ao bolsonarismo desde a primeira hora e carrega peso político no Distrito Federal. Já Daniella Marques ocupou a presidência da Caixa nos últimos meses do governo Jair Bolsonaro e é vista como um perfil técnico capaz de atrair eleitores moderados.

Estratégia eleitoral

De acordo com as reportagens, a escolha de uma mulher para a chapa tem como objetivo direto mitigar os danos causados pela crise com Michelle junto ao eleitorado feminino, segmento no qual a ex-primeira-dama exerce influência significativa. A avaliação dentro da campanha é de que os vídeos publicados por Michelle podem ter comprometido a imagem de Flávio entre eleitoras que identificam na ex-primeira-dama uma liderança legítima.

A crise entre Flávio e Michelle também reacendeu o debate sobre o protagonismo político da ex-primeira-dama, que chegou a ser cogitada como pré-candidata à Presidência antes de o senador consolidar sua posição como representante do clã Bolsonaro na disputa de 2026.

A definição da vice deve ocorrer em paralelo às negociações do PL com partidos aliados para a composição formal da chapa e das alianças estaduais, processo que segue em curso nas principais unidades da federação.