O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou participação em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), marcada para 7 de julho, na qual pretende argumentar contra a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e defender o sistema de pagamentos instantâneos PIX.
Conforme informações publicadas pelo portal O Tempo, o parlamentar enviou documento ao governo norte-americano pedindo o adiamento por 180 dias da tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras. No texto, Bolsonaro argumenta que a medida tarifária teria o efeito de fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026, ao alimentar um sentimento anti-americano na opinião pública brasileira.
Em troca do adiamento, segundo o veículo, o senador ofereceu contrapartidas comerciais ao governo de Donald Trump, incluindo a eliminação de tarifas brasileiras sobre o etanol americano e a redução de impostos incidentes sobre empresas de cartão de crédito que operam no Brasil.
Defesa do PIX e proposta sobre sistemas de pagamento
De acordo com o portal Imirante, Bolsonaro afirmou às autoridades norte-americanas que o PIX não substitui os cartões de crédito e, portanto, não representaria ameaça aos interesses de empresas do setor financeiro dos Estados Unidos. O senador propôs ainda a criação de barreiras contra sistemas de pagamento classificados por ele como "não ocidentais", em uma aparente referência a plataformas de origem chinesa ou russa.
A posição do parlamentar gerou repercussão no cenário político brasileiro. Conforme reportado pelo Brasil 247, críticos apontaram contradição entre a proposta de defender o PIX e o alinhamento do senador aos interesses comerciais norte-americanos, uma vez que as ofertas de contrapartidas envolvem concessões em política comercial e tributária brasileira.
Contexto das tarifas
A audiência do USTR faz parte do processo de revisão da política tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil. A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros se soma às alíquotas já existentes e tem sido alvo de negociações diplomáticas entre os dois países.
Flávio Bolsonaro, que não ocupa cargo no Poder Executivo, atua na interlocução com Washington de forma paralela aos canais oficiais do governo federal brasileiro. A ida do senador aos Estados Unidos ocorre em um momento de tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas e a menos de um ano e meio das eleições presidenciais de 2026.