O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou nesta sexta-feira (22) que cobrou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Washington coopere com o Brasil no combate à lavagem de dinheiro praticada pelo crime organizado brasileiro em território norte-americano, incluindo a extradição de foragidos que vivem em Miami.
A declaração foi feita durante o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, pacote federal que prevê R$ 11 bilhões em investimentos na área de segurança pública.
Cobrança direta a Trump
Segundo informações publicadas pela InfoMoney e pelo Pravda em Português, Lula afirmou ter feito o pedido diretamente a Trump, destacando que parte significativa do dinheiro ilícito gerado por organizações criminosas brasileiras é lavado nos Estados Unidos. O presidente brasileiro mencionou especificamente a presença de criminosos foragidos em Miami e pediu que o governo norte-americano facilite processos de extradição.
Lula também chamou atenção para o fluxo de armas com origem nos Estados Unidos que abastecem o crime organizado no Brasil, reforçando que o enfrentamento à criminalidade transnacional exige cooperação bilateral efetiva.
Grupo de trabalho internacional
Além da cobrança feita a Trump, o presidente brasileiro propôs a criação de um grupo de trabalho internacional voltado ao combate ao crime organizado transnacional. A iniciativa, conforme relatos das fontes consultadas, visa articular esforços entre diferentes países para enfrentar redes criminosas que operam além de fronteiras nacionais, abrangendo tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
A proposta se insere no contexto mais amplo do programa lançado pelo governo federal, que busca apresentar uma resposta estruturada à escalada da criminalidade organizada no país.
Programa Brasil Contra o Crime Organizado
De acordo com o portal WSCom, o programa Brasil Contra o Crime Organizado contempla R$ 11 bilhões em investimentos destinados ao fortalecimento da segurança pública. O pacote inclui medidas de inteligência, integração entre forças de segurança e ações de combate ao patrimônio financeiro de organizações criminosas.
O lançamento do programa representa a maior iniciativa do atual governo na área de segurança pública e sinaliza uma tentativa de aliar ações domésticas a uma estratégia de cooperação internacional. A cobrança pública a Trump adiciona uma dimensão diplomática ao tema, num momento em que as relações entre Brasília e Washington passam por recalibrações em diversas frentes.
A efetividade da cooperação solicitada dependerá da disposição do governo norte-americano em atender aos pedidos brasileiros, especialmente no que diz respeito à extradição de foragidos e ao rastreamento de recursos ilícitos em solo estadunidense.