O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (29) o programa Desenrola Adimplentes, voltado à renegociação de empréstimos pessoais para trabalhadores informais que estão em dia com suas dívidas. O governo federal destinou R$ 3 bilhões do Tesouro Nacional à iniciativa, além de R$ 1 bilhão para o Fies Empreendedor.
Conforme informações da Exame e do Poder360, o programa oferece condições de refinanciamento com juros limitados a 1,99% ao mês para empréstimos pessoais de até R$ 15 mil. Para ter acesso ao benefício, o trabalhador deve ter pago ao menos quatro parcelas do contrato vigente e estar adimplente ou com atraso máximo de 90 dias.
A expectativa do governo, segundo o Poder360, é beneficiar entre 200 mil e 500 mil famílias com as novas condições de crédito. O programa é direcionado especificamente a trabalhadores informais, categoria que historicamente enfrenta maior dificuldade de acesso a linhas de financiamento com taxas competitivas no mercado bancário tradicional.
Baixa adesão dos bancos
Apesar do volume de recursos anunciado, reportagem do Metrópoles aponta que as instituições financeiras demonstram baixa adesão inicial ao programa. A resistência dos bancos representa um desafio para o alcance das metas estipuladas pelo governo, uma vez que a operacionalização do Desenrola Adimplentes depende da participação ativa do sistema bancário na oferta das novas condições de refinanciamento.
O cenário contrasta com o discurso oficial de ampliação do acesso ao crédito para a população de menor renda. Sem a adesão significativa das instituições financeiras, o programa corre o risco de ter alcance limitado em relação ao público-alvo estimado.
Pacote mais amplo
O lançamento do Desenrola Adimplentes faz parte de um pacote que totaliza R$ 4 bilhões em recursos federais, conforme detalhado pelo Poder360. Além dos R$ 3 bilhões destinados ao programa principal, R$ 1 bilhão foi direcionado ao Fies Empreendedor, linha voltada ao financiamento de pequenos negócios.
A iniciativa dá continuidade à estratégia do governo Lula de utilizar programas de renegociação de dívidas como instrumento de política econômica. O Desenrola original, lançado em 2023, foi voltado a consumidores inadimplentes. A nova versão inverte a lógica ao focar em trabalhadores que mantêm seus pagamentos em dia, mas que poderiam se beneficiar de condições mais favoráveis de juros para evitar a inadimplência futura.