O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão por 90 dias das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra preso. A decisão foi motivada pela divulgação de uma carta manuscrita na qual o ex-presidente declarava apoio à candidatura presidencial do filho.

Segundo a Al Jazeera, a proibição se estende até após o primeiro turno das eleições de outubro de 2026, marcado para o dia 4 daquele mês. A medida foi tomada após a carta de Jair Bolsonaro circular publicamente, o que, na avaliação do ministro, configurou uso das visitas familiares para fins de articulação política e eleitoral, violando as condições estabelecidas para o regime de visitação.

A carta manuscrita, em que o ex-presidente manifestava respaldo à candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto, reacendeu o debate sobre os limites da comunicação entre presos e o mundo externo, especialmente em contexto eleitoral. De acordo com a Gazeta do Povo, a decisão representa mais um capítulo no endurecimento das restrições impostas a Jair Bolsonaro, numa escalada que, segundo o veículo, evoluiu da inelegibilidade até o que classificou como "isolamento total" do ex-presidente.

Conforme o Brasil 247, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende recorrer da decisão junto ao próprio STF. O senador classificou a medida como desproporcional e afirmou que buscará reverter a proibição por meio dos instrumentos legais cabíveis. Ainda de acordo com o veículo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitou que Flávio Bolsonaro, que possui registro na entidade, possa visitar o pai na condição de advogado, o que garantiria um enquadramento jurídico distinto para os encontros.

A suspensão das visitas adiciona tensão ao cenário político a pouco mais de um ano das eleições presidenciais de 2026. Flávio Bolsonaro é considerado um dos principais nomes da direita para a disputa, e o apoio explícito do pai — ainda uma figura de grande influência sobre o eleitorado conservador — é visto como um ativo político relevante.

A decisão de Moraes ainda pode ser contestada no plenário do STF, caso a defesa de Flávio Bolsonaro opte por levar o recurso à apreciação do colegiado. Até o momento, não há manifestação oficial da Procuradoria-Geral da República sobre o caso.