O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão por 90 dias das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A restrição se estende até após o primeiro turno das eleições municipais e foi motivada pela divulgação de uma carta manuscrita do ex-presidente nas redes sociais.

Segundo o Brasil 247, Flávio leu e publicou em suas plataformas digitais o conteúdo de uma carta escrita à mão por Jair Bolsonaro durante uma de suas visitas. Moraes entendeu que a ação configurou uma forma de burlar a proibição de acesso a redes sociais imposta ao ex-presidente como condição de sua prisão domiciliar.

Recurso e reação da defesa

Conforme informações do Brasil 247, Flávio Bolsonaro pretende recorrer da decisão junto ao próprio STF. A defesa do senador deve argumentar que a leitura da carta não representou violação das condições impostas a Jair Bolsonaro, uma vez que o conteúdo teria sido divulgado por iniciativa do filho, e não do ex-presidente.

Com a suspensão das visitas, a equipe de defesa jurídica de Bolsonaro passa a ser o último elo direto entre o ex-presidente e a campanha eleitoral de Flávio, que disputará as próximas eleições. A restrição limita significativamente a capacidade de articulação política entre pai e filho em um período considerado estratégico para o calendário eleitoral.

Michelle ganha protagonismo

De acordo com as fontes consultadas, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro assume maior protagonismo como principal interlocutora entre Jair Bolsonaro e a direção do PL. Com Flávio impedido de visitar o pai, Michelle passa a concentrar o papel de ponte entre o ex-presidente e as decisões partidárias, ampliando sua influência dentro da legenda.

A decisão de Moraes reacende o debate sobre os limites da prisão domiciliar de Bolsonaro. Conforme reportagem da Folha Vitória, já tramitam no STF questionamentos sobre as condições impostas ao ex-presidente, incluindo pedidos que discutem o alcance das restrições de comunicação durante o cumprimento da pena.

A suspensão das visitas adiciona mais um capítulo às tensões entre o núcleo bolsonarista e o ministro Alexandre de Moraes, que tem sido alvo de críticas recorrentes por parte de aliados do ex-presidente. A medida deve intensificar a mobilização da base política de Bolsonaro contra as decisões do magistrado no período pré-eleitoral.