A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a Operação Emendatio para investigar um esquema de desvio de aproximadamente R$ 100 milhões em emendas parlamentares no Rio de Janeiro. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão.
Entre os alvos da operação está o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, condenado pelo Supremo Tribunal Federal como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Brazão já se encontra preso em razão da condenação no caso Marielle, conforme informações do Correio Braziliense e do Poder360.
Segundo as fontes consultadas, os dois presos preventivamente na operação desta quinta incluem um ex-assessor de Domingos Brazão — irmão de Chiquinho e também condenado no caso Marielle Franco — e outro indivíduo igualmente condenado no mesmo processo. As identidades completas dos presos não foram detalhadas nos relatos iniciais.
Esquema com empresas de fachada
De acordo com as investigações, o esquema utilizava empresas de fachada e pessoas interpostas — conhecidas como "laranjas" — para ocultar os reais beneficiários dos recursos públicos desviados. As emendas parlamentares eram direcionadas a entidades e organizações controladas pelo grupo investigado, que se valia de estruturas societárias fictícias para dissimular o destino final dos valores, conforme reportado pela Band.
A operação contou com o cumprimento de mandados em diferentes endereços no estado do Rio de Janeiro, embora os detalhes sobre as localidades específicas das diligências não tenham sido integralmente divulgados pelas fontes.
Conexão com o caso Marielle
A Operação Emendatio reforça o escrutínio sobre o núcleo político ligado aos irmãos Brazão, que já enfrentam condenações no caso do assassinato de Marielle Franco, ocorrido em março de 2018. Chiquinho Brazão teve o mandato de deputado federal cassado após a condenação pelo STF, e tanto ele quanto Domingos Brazão cumprem pena pelo crime.
A investigação sobre o desvio de emendas parlamentares corre em paralelo ao processo já concluído no Supremo e indica, segundo os relatos do Poder360 e do Correio Braziliense, que a atuação do grupo sob investigação se estendia para além do caso que ganhou repercussão internacional.
A Polícia Federal não detalhou, até o momento da publicação das reportagens consultadas, se há outros parlamentares ou agentes públicos sob investigação no âmbito da Operação Emendatio.