O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou o Brasil como um país "não amigável" durante audiência no Senado americano sobre o orçamento do Departamento de Estado para o ano fiscal de 2027. A declaração foi acompanhada pela formalização, por parte do governo Trump, de uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
Segundo o Brasil de Fato, Rubio comparou o Brasil a Cuba e Venezuela ao listar países que considera hostis aos interesses norte-americanos. A fala ocorreu em sessão voltada à discussão de prioridades diplomáticas e alocação de recursos do Departamento de Estado. O secretário não detalhou quais ações específicas do governo brasileiro motivaram a classificação.
Conforme a Revista Fórum, além da tarifa de 25% já formalizada, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil falha na fiscalização de trabalho forçado em cadeias produtivas. Audiências públicas sobre as medidas tarifárias estão agendadas para 7 de julho de 2026, quando empresas e governos poderão apresentar contrapontos formais à proposta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às declarações de Rubio. De acordo com o Brasil de Fato, Lula afirmou que o secretário de Estado de Trump é "anti-América Latina" e rebateu a caracterização do Brasil como país hostil aos Estados Unidos. O presidente brasileiro não detalhou, no entanto, eventuais medidas de retaliação comercial.
As tarifas propostas geram preocupação entre setores exportadores brasileiros. Conforme o portal Credited, segmentos como agronegócio, siderurgia e manufatura — que têm nos Estados Unidos um dos principais destinos de exportação — avaliam o impacto potencial das medidas sobre a competitividade de seus produtos no mercado norte-americano. O Brasil exportou mais de US$ 36 bilhões em mercadorias para os EUA em 2025, o que torna a relação comercial bilateral uma das mais relevantes para a economia brasileira.
A audiência de 7 de julho será o próximo marco formal do processo. Até lá, o governo brasileiro e o setor privado terão a oportunidade de protocolar manifestações junto ao USTR contestando os fundamentos das tarifas propostas.